Cotidiano

A investigação:

Álibi, provas e contradições no triplo homicídio

15/08/2021 07H05

Hoje do Jornal Umuarama Ilustrado traz uma reportagem especial sobre o triplo homicídio de pai, mãe e filha que chocou a cidade nesta semana.

Para facilitar a leitura e a compreensão de tudo o que a Polícia Civil tem até o momento dividimos em quatro matérias.

Os links para a reportagem completa você encontra ao final desta matéria

Jornal Ilustrado
O sobrado onde o crime ocorreu passou por duas ‘varreduras’ por parte de investigadores e peritos em busca de evidências e provas

Entre a descoberta dos corpos de pai, mãe e filha pela empregada da família, na manhã de segunda-feira (9) e a prisão do suspeito ocorreu no intervalo de 10 horas.

Esse tempo foi marcado por perícias, coletas de evidências e testemunhos. No primeiro contato com os policiais, o comerciante Jean Michel Souza, apontado como o autor das mortes, afirmou não ter saído de casa na noite de 8 de agosto. Ele é casado com Jaqueline, uma das vítimas fatais, juntamente com seus pais, o empresário Antonio Soares e Helena Marras. Todos foram mortos com golpes de faca.

Álibi

De acordo com a polícia o comerciante mentiu e o objetivo seria ter um álibi.

Segundo o delegado Gabriel Menezes, responsável pelas investigações, em depoimento a mãe de Jean Michel confirmou que o filho saiu de casa na noite do crime e que não havia retornado até a meia-noite, quando ligou para Jean Michel e a ligação não foi atendida porque o telefone estava na residência.

Câmeras de segurança

Nesta semana a Polícia Civil apresentou imagens de câmeras de segurança de um imóvel na rua da casa da família do comerciante, onde é possível ver um carro similar ao de Jean Michel, um GM Astra prata, passar em frente a própria residência e não parar.

O horário: 22h58, momento em que o crime já teria ocorrido, segundo a polícia. Informações periciais iniciais repassadas pelo Instituto Médico Legal (IML) para a polícia, estima o horário as mortes até as 22 horas.

Provas técnicas

Menezes afirma ainda que foram as provas técnicas que colocaram Jean Michel na cena do crime.

No carro do suspeito os policiais encontraram com o uso de luminol (substância que ilumina o sangue) vestígios de sangue na maçaneta esquerda, volante e câmbio.

Na casa de Jean Michel, foi encontrado mais sangue ao lado do tanque de lavar roupas, localizado na área de serviço e no local do crime, uma pegada do chinelo do suspeito marcada a sangue completou a lista de vestígios organizada pela Polícia Civil.

Jornal Ilustrado
Durante a semana os policiais também realizaram busca e apreensão no comércio e na casa da família de Jean Michel Souza

Varredura

Em uma segunda ‘varreduras’ no sobrado, realizada na quarta-feira (11), mais evidências foram encontradas e deram mais forma ao quebra-cabeça.

Segundo o delegado-chefe da 7ª SDP, Osnildo Carneiro Lemes, na primeira busca os policiais não haviam encontrado evidências na escada principal que demonstrava ser esse o caminho percorrido pelo criminoso para acessar o segundo pavimento do sobrado.

Acesso secreto

Nesta nova ‘varredura’ os policiais encontraram um acesso pelo lado externo do imóvel. “Descobriram que tem um acesso secundário que só mesmo quem conhece a casa poderia fazer. Sai pela parte externa, entra pelos fundos em outra sala e acessa o piso superior. E também encontraram pingos de sangue neste trajeto”, explicou Osnildo Lemes.

A Polícia Civil não tem dúvidas de que o matador usou esse acesso secreto para chegar até Jaqueline, que foi morta no banheiro de um dos quartos, no piso superior. Ela foi encontrada caída na banheira.

Água, sangue e rodinho

Outra evidência encontrada pelos investigadores foi um rodinho com vestígios do que pode ser sangue.

“Aparentemente o criminoso se lavou com uma mangueira e depois usou um rodinho para puxar a água para um ralo que há na área de serviço e após deixou o rodinho encostado na parede, que foi apreendido e levado para perícia para se confirmar que é mesmo sangue”, afirmou o delegado-chefe, Osnildo Carneiro.

Segundo o policial, esse cuidado com a limpeza da cena do crime não é usual em um criminoso comum, ou seja, que não tem envolvimento com as vítimas. “Se é um criminoso comum mata e foge. Não para e limpa o local para tentar esconder evidências”, argumentou.

Busca e apreensão

Na quinta-feira (12) as buscas ocorreram no comércio que Jean Michel mantinha em sociedade com a família da esposa, uma loja de tecidos e aviamentos no entorno da praça Miguel Rossafa. De lá os policiais recolheram um notebook, um celular e uma agenda contábil.

O mandado também foi concedido pela Justiça para a casa da mãe do suspeito, no Jardim Alphaville. De lá foram recolhidos uma camiseta com manchas que podem ou não ser de sangue e uma faca de pão.