ARTIGO

Eliseu Auth
O carnaval se foi, festas não há mais e a quarta de cinzas chegou para nos advertir que somos pó e ao pó haveremos de tornar. Acordei na quarta com a angústia existencial do bom mineiro Carlos Drumond de Andrade, no poema de José. Ele quer abrir a porta e não existe porta. Quer morrer no mar, mas ele secou e ir para Minas que já não existem mais. Na carruagem da vida, o poeta empilha uma carga de incertezas e desafia pela resposta: E agora, José?
Se o ano só começa depois do carnaval, o poeta diria: vida que segue, José. Busca a saída, no impertativo categórico que manda praticar o bem. Onde vai dar, Deus sabe. É o que diz a fé que nossos pais nos legaram. Atente para a metafísica cristã que olha o lado da ação livre em busca da finalidade da vida ética. Ali está a virtude e o dever moral de agir segundo ela.
José, há que pensar na vida, identificar quem somos e o que podemos fazer para justificar esta breve existência terrena. Aos que crêem, Santo Agostinho aponta o caminho da perspectiva cristã como forma de aplacar as nossas angústias: “Inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te, Domine!” Nosso coração estará inquieto, enquanto não descansar em Ti, Senhor!
Se estamos inquietos, olhemos para o amanhã, neste mundo conturbado e ameaçado por extremistas. Vizualizemos e influamos no que pode acontecer com a nossa existência e a nossa liberdade que só é possível sob o manto da Democracia. O cidadão consciente que quer vida digna para ele, sua família e semelhantes, deve combater os extremismos, sejam de direita ou esquerda. Saiba que eles, fatalmente, levam à tirania que vai escravizá-lo porque é inimiga da lei, da liberdade e dos direitos humanos. Isso é o óbvio ululante!
Esta meditação deveria ser feita não só pelo José do poeta, mas por qualquer um de nós. Cabe em mim, no ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado” e em quem tiver alma e juízo. Termino, evocando Abraham Lincoln, no desejo de que suas palavras finais, no discurso de Gettysburg, se cumpram e sejam profecia: “(…) Que a Democracia, governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da Terra”. Vida que segue, José!
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).