ARTIGO

Ainda guri, fui ao seminário. O piá matuto e ingênuo de família humilde, religiosa e rezadeira, queria ser padre. O Seminário São José de Cerro Largo não ficava longe de Santo Cristo, mas parecia que tinha ido para o fim do mundo. Lembro. Chorei de saudades, encostado num pé de plátano e queria voltar. Foi uma bênção ter ficado e me embevecido dos melhores princípios. A disciplina rígida e o estudo sério buscavam síntese e sentido na doutrina cristã. Cedo, ainda escuro, a gente levantava, ia à Capela, meditava sobre as virtudes do santo do dia e tinha missa. Só depois, a gente tomava café e ia às aulas.
Fiz o registro para bendizer o seminário que me ensinou. E quero um paralelo para o ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado” entre ele e nossa existência. Volto os olhos à Cop-30 como meditação sobre a preservação do planeta. Digo-a bendita, oportuna e necessária. Cuidar dele não é questão ideológica. É crucial para todos à direita, esquerda ou no centro. Os amigos negacionistas que pensem e saibam que o planeta também é a casa deles.
Sim. Se o nosso pecado é o desmatamento em nossos biomas, liberando carbono com efeito estufa e aquecimento, vamos ao desmatamento zero! Que nenhuma árvore, maior amiga do homem, seja derrubada daqui prá frente. É louvável o Fundo mundial de socorro às florestas que restam no mundo, criado pelo Brasil. Os países precisam preservá-las e cuidar da população que depende delas. Entre eles estamos nós, Congo, Indonésia, Rússia, Colômbia, Peru, México, Camarões, Gabão, Guiné, Miamar e outros. Aqui, há que impedir desertos, recuperar terras degradadas e repor o verde das caatingas.
Termino com o puxão de orelha de um índio, o cacique da tribo Duwamish no presidente dos EEUU, que queria comprar suas terras e matas, lá em 1855: “(…) Como podes comprar o céu, o calor da terra? Tal é estranho. Não somos donos da pureza do ar, do resplendor da água. Como podes comprá-los de nós? Toda essa terra é sagrada para meu povo. (…) A terra não é irmã do homem branco. Depois de exauri-la, vai embora e deixa para trás o túmulo dos seus pais. Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si, desertos. (…)” (In Norsk Natur 10 – Revista norueguesa).
Só quis meditar sobre nossa urgente e inafastável tarefa ambiental. Uma homenagem à Cop-30 que começou ontem. Uma bendita meditação climática.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).