ARTIGO

O título desta conversa com o leitor do “Umuarama Ilustrado” é idéia da secretaria do meio ambiente de Umuarama. Gostei e parabenizo o secretário Cláudio Marconi que festeja o nascimento de cada criança com o plantio de uma árvore. Sim! A árvore é a maior amiga de quem nasce e de todos nós que nascemos algures. Ela é a protetora do planeta. Dá tudo de si, frutos, sombra, madeira, transforma gás carbônico em oxigênio, faz a fotossíntese e garante chuvas para o Brasil e o mundo. Em troca, nada cobra pelo sacerdócio que impede o aquecimento do planeta. Só implora que a cobiça a deixe em paz e que respeite os biomas, sem derrubar a Amazônia e as florestas que restam.
A idéia é original e benvinda, mas é simbólica. Na sua esteira, não só aqui, mas em todos os municípios, hão que vir programas abrangentes, encorpados e de estôfo, na seara do meio ambiente. Há muito por fazer e aproveito a boa vontade do secretário para sugerir a ele e seus pares na região, que providenciem local físico e permanente, onde os cidadãos possam descartar lixo eletrônico, hospitalar, vidros e metais que não devem correr o risco de poluir os aterros sanitários. Esse é só um lado da questão ambiental que deve atentar para matas ciliares, proteção das águas, poluição e degradação do solo.
Acabamos de assistir os desmoronamentos nas encostas de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais. Casas foram soterradas e vidas humanas perdidas, numa tragédia anunciada. Se olharmos para a verba de Minas Gerais para a proteção de encostas, vamos nos assustar. Consta que o governo de lá, reduziu em 96% a verba que tinha para 2025. Em vez de aumentá-la, diminuiu-a em 2026. A política rasa de governantes sem visão de futuro tem tudo a ver com tragédias ambientais. Isso em Minas, no Brasil e no mundo. Quando governos são rasos e cegos para o futuro, permitem construir casas no sopé de montanhas e morros, avançando sobre suas coberturas vegetais e arbóreas. Assim projetam futuras vítimas de desmoronamentos que não serão eles que moram em casas seguras, mas os pobres cidadãos que não têm onde morar.
Vivemos uma nova realidade sob os efeitos da crise climática que vem do aquecimento global, fruto de poluição, combustíveis fósseis e destruição das florestas. Na lógica, chegou o tempo dos eventos extremos com chuvas torrenciais, inundações, secas, ciclones e tempestades catastróficas. Agora, resta prevenir e consertar os estragos que fizemos ao planeta que é nossa casa.
Concluo: é um afago ambiental, plantar uma árvore por bebê que nasce.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).