ARTIGO

Lá atrás, ouvíamos que o mundo seria uma aldeia global. A metáfora ficou real e hoje é assim. Se já respirávamos o mesmo ar da generosa atmosfera que circunda o planeta, as distâncias se encurtaram e os espaços ficaram comuns. Dependemos mais uns dos outros e as necessidades são as mesmas. Tomamos consciência que somos moradores do mesmo planeta e já não somos de mundos distantes e isolados. Guerras e problemas lá, nos atingem aqui. Também por isso, estamos um pouco mais aliviados com a perspectiva de paz entre palestinos e israelenses, lá no outrora distante oriente médio.
Antes de ir à frente, preciso agradecer a um ilustre leitor do “Umuarama Ilustrado”, sua manifestação carinhosa neste jornal, em razão do que reflito aqui, semana após semana. João Dória Ramos é cidadão honorário desta terra que nós dois escolhemos como querência. Suas palavras me honram muito, mas são fruto da generosidade do bom mineiro e contador de histórias deliciosas que é, na trajetória de sucesso como colega advogado e pecuarista.
Volto à paz que quero comemorar. Os que gostam de História como eu, sabem que ela é uma sucessão interminável de guerras, batalhas, conquistas e refregas entre povos e nações. As discórdias históricas vieram do poder, da ambição, da raça ou de credos e religiões. Ali encontramos o combo variado das razões de discórdia na busca histórica de um mundo mais civilizado.
Não sei se a paz entre judeus e palestinos vai durar. Ela tem ingredientes religiosos também. Uma pena porque religiões deveriam ensinar respeito e tolerância. Claro, há mais razões, mas a trajédia de Gaza em escombros e sua nação em fome e desgraça, acho que acordou o mundo civilizado. Sei que o desatino terrorista do Hamás causou a reação de Israel, mas ele veio depois de longos anos de omissão que deveriam ter pacificado a região, sob o governo da Autoridade Palestina de Mahmoud Abbas. Tenho mil restrições a Trump, seu negacionismo ambiental e seu autoritarismo, mas aplaudo seu gesto para dar um fim ao conflito de Gaza. Que não pare aí e apóie um Estado palestino.
Foi um primeiro passo. Outros deverão vir. Torço que a ONU tenha vez e voz na reconstrução de Gaza e na criação do Estado palestino independente e autônomo, à imagem do que aconteceu em 1948, quando reconheceu o Estado de Israel. Aí, a paz estará definitivamente no Oriente Médio. Um viva à Paz!
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).