Dr. Eliseu Auth

ARTIGO

Um arranhão no Prêmio da Corina

Dr. Eliseu Auth 20/01/2026 00H02

Jornal Ilustrado - Um arranhão no Prêmio da Corina

Consta que o prêmio Nobel vem do testamento de Alfred Nobel, um rico fabricante de armas da Suécia que indicou o parlamento da Noruega para, ano a ano, escolher um homenageado pelo melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, abolindo ou reduzindo os exércitos e promovendo a paz. Dá para entender que desejou amenizar os efeitos de seus inventos, entre eles a dinamite e o detonador. Seria escrúpulo por ter inventado armas destrutivas. Se é ou não, o prêmio Nobel, além da paz, quer homenagear benfeitores da humanidade nas ciências como Física, Química, Medicina, incluindo a Literatura. O gesto adquiriu tradição desde o início do século XX, tanto que os homenageados passam a ser celebridades mundiais, paradigmas e modelos. Em suma, é um incentivo à civilização que quer paz, bem, justiça e progresso.

É nesse contexto que, no ano passado, a venezuelana Maria Corina Machado foi condecorada com o prêmio Nobel da Paz, em virtude de sua resistência à ditadura de Nicolas Maduro. Agora, diante do seqüestro do ditador por obra dos EEUU, ainda que violando o Direito internacional e a soberania do país, bombardeando barcos e apreendendo navios com petróleo, em nome do combate ao narco-tráfico, ela vai lá e dá de presente o seu prêmio Nobel da Paz ao presidente norte americano. O gesto soou mal porque este sequer disse que agira por amor à Democracia e nem condenou o regime chavista, referindo que o petróleo deve ser explorado pelas empresas americanas. Se Corina queria agradar o interventor para reconhecê-la como beneficiária e herdeira do poder destronado, foi estratégia equivocada que não pegou bem e só arranhou o brilho do seu passado de lutas pela Democracia.

O prêmio Nobel, seja da paz, da ciência ou de literatura, não pode ser menosprezado e nem moeda de troca. Ele é pessoal e intransferível. O mundo o reverencia porque guarda na memória afetiva quem recebeu a distinção. São nomes como Albert Einstein, Alexander Fleming, inventor da penicilina, Al Gore, Martin Luther King, Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Malala Yousafzai, sobrevivente do Taliban, Gabriel Garcia Marquez, Ernest Hemingway, Bob Dylan, Pablo Neruda, Barack Obama e outros, todos vistos como ícones, modelos e paradigmas. A eles somam-se a ONU e a Cruz Vermelha, reconhecidas como Instituições beneméritas da humanidade.

Concluo que a doação do Nobel foi um arranhão no prêmio da Corina.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).