Dr. Eliseu Auth

ARTIGO

Um ano que deixou lições para a história

Dr. Eliseu Auth 30/12/2025 00H02

Jornal Ilustrado - Um ano que deixou lições para a história

O ano de 2025 está indo para a história. Deixará uma marca que o tempo não vai apagar. Diria que pungirá como advertência através do tempo, nas lições que deixará à posteridade. Acho oportuno o verbo pungir, talvez porque soa na memória afetiva que gravou o hino de Piracicaba. O meu amarelado “Aurélio” diz que é ferir, picar, estimular, incitar, causar dor moral, afligir e torturar. Soa bem alargar o sentido para advertir e chamar a atenção. Atenderia melhor o título que eterniza na história as lições do ano que está indo.

Não é de semântica que quero tratar. É da vida desta humanidade sofrida no ano que passou. Sim. No tabuleiro da convivência entre pessoas, povos e nações, o ano foi péssimo e deixa marcas indeléveis. Nem falo das guerras que continuam e das tiranias que se perpetuam, mas refiro a insanidade de Donald Trump, governante norte-americano de plantão e sua doentia obcessão de superioridade sobre tudo e todos. Nela e por ela, raciocina que é forte, tem armas e na agulha, balas que os outros não têm. Amigos ou não, danem-se todos, inclusive a ONU, suas regras civilizadas e o multilateralismo. Tarifas, sanções e tarifaços para cima de todos. Que se explodam as conquistas da humanidade depois de se livrar de Hitler, Mussolini, nazismo e fascismo.

Concordo com Reinaldo Azevedo: Ou o Brasil acaba com as “Emendas parlamentares”, ou elas acabam com o Brasil”. O Congresso que temos não só não acabou com elas, mas aumentou-as para 61 bilhões que tira do orçamento e distribui aos currais eleitorais que perpetua a mesma gente no poder. Até quando? Um dia, o STF vai ter que declará-las ilegais porque não pertencem ao legislativo. Aí, a malandragem vai dizer que é interferência em outro poder.

Falei de coisas negativas do 2025 que está indo. Mas, ele tem o lado bom. A marca positiva que vai fazer lembrá-lo para sempre é a condenação dos golpistas que tentaram contra a Democracia. Até aqui, os inimigos do Estado Democrático de Direito, fardados ou não, velejavam na impunidade. Sentiam-se à vontade para conspirar, fazer e acontecer, no sofisma de que Forças Armadas seriam poder moderador que nunca foram. Se o Estado arma seus exércitos e suas polícias é para garanti-lo, defender seu território, seu regime democrático e sua soberania. Nunca para golpeá-lo. Termino, dizendo um Obrigado 2025. Um ano que deixou lições para a história.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).