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Passeata marca apoio da população de Mariluz contra possível reintegração de posse

23/05/2019 08H42

A população de Mariluz percorreu, na manhã de quarta-feira (23), as avenidas do município contra a reintegração de posse emitida pela Justiça, no último dia 8 de abril, contra os moradores do pré-assentamento Santa Rita. A movimentação também teve apresentação dos alimentos produzidos pelos produtores do pré-assentamento e uma missa em comemoração ao dia Santa Rita de Cassia.

Conforme Ângelo Costa Quintanilha, coordenador do Assentamento Nossa Senhora Aparecida, a questão no local é social, pois as nove famílias do pré-assentamento estão no local há 10 anos e não moram mais em barracas e sim em casas, além de contarem com estrutura de energia elétrica e a produção rural. “Por intermédio dos órgãos competentes essas famílias que estão prestes a serem despejadas estão cadastradas nos convênios dos governos estadual e federal. Conseguiram Inscrição Estadual do Produtor Rural (CAD/PRO), Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e contraíram financiamento Rural junto ao Banco do Brasil”, alertou.

O pedido dos agricultores é que o governo estadual realize a mediação do assunto e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) se manifeste em favor de aquisição e acerto da área com os requerentes. “Fazendo esse manifesto para mostrar o apoio do município à essas famílias. A comunidade está consolidada e o poder público precisa olhar para isso”, disse.

PREFEITURA

O prefeito de Mariluz, Nilson Cardoso, reforçou que seria fundamental e necessário o INCRA se pronunciar a respeito da situação, neste sentido, tentar uma conciliação e evitar possíveis conflitos. “São famílias trabalhadoras que movimentam a economia do município. Por isso estamos junto a eles e já fomos em várias estâncias tentando uma solução para o problema. Estamos preocupados com o futuro dessas famílias, pois existe o risco de confronto”, alertou.

Ainda segundo o prefeito, a administração municipal não conta com estrutura para abrigar todas as famílias, além das criações como porco, galinha e gado, caso eles fossem despejados. “Além disso e o financiamento contraído pelas famílias para comprar insumos e as plantações que estão na terra, como ficaria isso?”, indagou.

PARÓQUIA

A comunidade católica de Mariluz também foi para rua em apoio dos moradores do pré-assentamento Santa Rita. O padre Rômulo Ramos Gonçalves, ressaltou que a visão é estar ao lado de quem necessita. “São nove famílias que lá vivem. São pessoas honestas, são trabalhadores, que simplesmente buscam um pedaço de terra para viver, cultivar. Por isso estamos juntos, pois esse é o povo de Deus”, disse.

Produção agrícola

 

Ainda segundo Ângelo Quintanilha, as duas áreas de reforma agrária em Mariluz hoje retornam para o município R$ 300 mil só no setor do leite. “Além do leite as duas comunidades Nossa Senhora Aparecida e Santa Rita também produzem mandioca, milho, suínos, hortaliças e frutas”, finalizou.