Dr. Eliseu Auth

Dr. Eliseu

Pão a quem tem fome. E fome de justiça a quem tem pão!

05/08/2025 17H48

Jornal Ilustrado - Pão a quem tem fome. E fome de justiça a quem tem pão!

Taí uma boa notícia da semana que passou: O Brasil saiu do mapa da fome, diz relatório da ONU. Alvíssaras! É de comemorar sim, ainda que uma certa turma, aquela que aplaude Trump e o tarifaço contra o Brasil, torça o nariz. Que ninguém esteja passando fome nesta terra de Santa Cruz é uma ótima notícia que vem confirmada pela ONU (Organização das Nações Unidas) que acompanha a segurança alimentar e nutricional no mundo inteiro.

Lá atrás, em 2014 o Brasil já havia saído do mapa da fome, mas retornou a ele no triênio 2018/2020. A questão está no modelo de Estado e governo. Há que ter compromisso explícito com políticas públicas que garantam ganho real no salário, trabalho e inclusão social para classes menos favorecidas. Ainda temos problemas, mas sem isso, elas não se livram da fome e da miséria. No regime do “cada um por si e Deus por todos”, os pobres não conseguem competir e sempre serão relegados à sua sorte. Então, há que ter políticas de Estado para protegê-los, no postulado do justo que quer o equilíbrio social. É ali que encontramos o sublime do Estado suficiente defendido pelo economista John Keynes. Ele propõe agir e intervir para equilibrar forças, socorrer empresas e gerar empregos. Foi o que ocorreu no famoso “New Deal”, de Franklin D. Roosewelt que salvou os Estados Unidos da grande depressão, entre 1933 e 1938. Esse modelo de Estado induz o desenvolvimento e não se omite como o Estado mínimo faz no seu “laissez faire, laissez passer”. Finalmente, o Estado keynesiano se contrapõe ao Estado máximo e ditatorial que se apropria de tudo, inclusive dos meios de produção.

Há que fazer justiça às ações do governo brasileiro que, através do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social priorizou a redução da pobreza. Junto, estimulou apôio à agricultura familiar e a geração de empregos que vem batendo recordes em direção ao emprego pleno. Cuidar do bem estar das pessoas precisa ser da essência do Estado, coisa que se espera de governos que se dizem democratas e comprometidos com justiça social e a dignidade da pessoa humana. Isso é imperativo categórico de gestão do poder e, leigo, se aproxima da idéia cristã que manda amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. No seminário a gente rezava antes e depois das refeições: Senhor, daí pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).