RACISMO NA ESCOLA

O professor e pai de aluno, Valdir Zucarelli, pediu apoio da reportagem do Ilustrado para denunciar situações de buylling e injúria racial sofridos por seu filho de 15 anos, aluno do 9º ano da Escola Estadual Princesa Isabel, de Umuarama. O caso já foi denunciado ao Ministério Público e ao Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial. A direção da escola informou em nota, por meio da Secretaria Estadual de Educação, que as providências foram tomadas para solucionar o problema.
Segundo Zucarelli, a situação é antiga, recorrente e ocorre por seu filho ser preto. “A última situação foi chamarem ele de macaco preto sem mãe. Sem contar todas as outras situações a que ele já foi vítima”. Zucarelli é pai por adoção de dois adolescentes e duas crianças menores.
O pai citou situações como restos de mexerica serem jogados na carteira do aluno, dentro da sala de aula e com professor presente. As calças do estudante serem abaixadas no pátio por outro aluno. Ser impedido de participar de jogos de futebol por outros alunos com a alegação de que ele é preto, não iria jogar com brancos. “Ele chegou a escutar que era feio pelo fato de ser preto e que só branco é bonito”, afirmou indignado.
Zucarelli ressaltou que a situação começou desde que seu filho começou a estudar neste estabelecimento de ensino e que as agressões não são limitadas apenas a ele. Disse que buscou desde o início apoio na coordenação e direção da escola, mas sem sucesso. Todas as tratativas foram documentadas em atas. “Eu quero que outros alunos não passem pelo que meu filho está passando. Isso precisa mudar, mas não encontrei respaldo dentro da própria escola para isso”, afirmou.
Ainda segundo Zucarelli, foi realizado um seminário sobre racismo e discriminação, mas a apresentação foi em um sábado letivo. “Quem vai na escola nestes dias? Ninguém. Isso tem que ser tratado com seriedade”, afirmou.

Letramento racial
O Ilustrado conversou com a Dra. Josiane Barbosa Gouvêa, professora do IFPR Campus Umuarama e do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade IFPR/UEM e membra do NEABI – Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do IFPR e pesquisadora de Relações Raciais há mais de 10 anos.
A professora ressaltou que o tratamento sobre o assunto deve ser mais amplo e que a educação anti-racista deve discutir um currículo integrado constante e não apenas no Dia da Consciência Negra e que esse letramento racial deve ser estendido aos servidores, familiares e professores, e não somente aos alunos. “Mostrar para as crianças brancas as diferenças e a diversidade é fundamental e que as crianças negras possam se ver como protagonistas da própria história”, explicou.

SEED
O Ilustrado questionou a Secretaria de Estado da Educação (SEED), que em nota (veja íntegra abaixo), respondeu que “Foram realizadas atividades com as turmas de 9º ano, visando o combate ao bullying, racismo, injúria racial e outras formas de discriminação, incluindo a compreensão acerca da responsabilidade de quem pratica, incentiva, compartilha ou se omite diante de situações discriminatórias.
Também foi realizada ação com professores e equipe pedagógica, com foco no fortalecimento das estratégias de prevenção e enfrentamento ao racismo no ambiente escolar”.
COMPIR
O Ilustrado também questionou o Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial, que em nota (veja íntegra abaixo) respondeu que recebeu a denúncia feita por Zucarelli e que o caso será apresentado aos membros do conselho na próxima reunião ordinária, prevista para 1º de setembro e que após a apreciação, adotará as medidas previstas dentro de suas atribuições.
MINISTÉRIO PÚBLICO
O caso já está sendo acompanhado pelo Ministério Público. A informação repassada é que não seria uma situação isolada daquela escola apenas e que tratativas já estão em andamento junto ao Núcleo Regional de Educação (NRE) e direção da escola para uma solução efetiva. O espaço está aberto para manifestação.
Íntegra nota do COMPIR
‘Em atenção ao questionamento encaminhado, informamos que o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial – COMPIR recebeu, no dia 06 de agosto de 2026, a denúncia apresentada pelo Sr. Valdir Zucarelli, encaminhada ao Conselho por e-mail e também por WhatsApp.
Considerando que a denúncia foi recebida recentemente, o caso será apresentado aos membros do Conselho na próxima reunião ordinária do COMPIR, prevista para o dia 1º de setembro de 2026, ocasião em que serão discutidos e deliberados os encaminhamentos cabíveis.
No âmbito de suas competências, o COMPIR poderá acompanhar a situação, solicitar informações aos órgãos e instituições responsáveis, articular-se com a rede de proteção e com os demais órgãos públicos competentes, bem como propor e acompanhar medidas e ações de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e ao enfrentamento do racismo e da discriminação racial.
Ressaltamos que o Conselho não realiza, por si só, a investigação ou apuração dos fatos, mas possui importante papel de controle social, acompanhamento das políticas públicas e articulação institucional para o enfrentamento de situações de racismo e promoção dos direitos da população negra.
Assim, após a apreciação da denúncia pelo colegiado, o COMPIR adotará as providências que estiverem dentro de suas atribuições e avaliará os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes”.
Íntegra nota SEED
“Após a direção da escola comunicar ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Umuarama relatos envolvendo supostas situações de bullying e injúria racial, uma equipe multiprofissional realizou o levantamento do contexto junto à direção e à equipe pedagógica e, a partir das informações coletadas, elaborou planejamento e material específico para o trabalho com os estudantes da Escola Estadual Princesa Izabel.
Foram realizadas atividades com as turmas de 9º ano, visando o combate ao bullying, racismo, injúria racial, e outras formas de discriminação, incluindo a compreensão acerca da responsabilidade de quem pratica, incentiva, compartilha ou se omite diante de situações discriminatórias.
Também foi realizada ação com professores e equipe pedagógica, com foco no fortalecimento das estratégias de prevenção e enfrentamento ao racismo no ambiente escolar.
A Rede Estadual também conta com o Selo ERER Enedina Alves Marques, que reconhece e valoriza práticas de equidade racial e de promoção das culturas afro-brasileira, africana e indígena nas escolas públicas estaduais, fortalecendo a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER).
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) reitera que repudia qualquer forma de violência, discriminação ou assédio no ambiente escolar.”