ARTIGO

A boa notícia da semana é que, finalmente, o acordo comercial “Mercosul e União Europeia” chegou ao consenso. Ele precisa ser festejado por nós. Não é um simples intercâmbio comercial e cultural. É também, um tributo à Europa, nossa Mãe-Terra de onde muitos de nós descendemos. Somos o povo do sul da América que se moldou e enriqueceu com os povos indígenas que habitavam o novo mundo, somados aos nossos irmãos negros vindos da África e de quem mais aqui aportou, tenha vindo de onde veio. Assim, na mistura de origens, raças, costumes, cores, cultura, sangue e história, formamos a Nação americana cá do sul que celebra o acordo com a Europa, Mãe-Terra de tantos de nós, em cujas veias corre sangue europeu.
Fiquei feliz com o Acordo entre a Europa e o Mercosul. Não só por nós brasileiros, mas também pelos europeus que são nossos antepassados. Detesto sentimentos de superioridade porque ninguém é melhor que ninguém e raça nenhuma é superior às outras, como apregoavam nazistas e fascistas. Isso não quer dizer que não devamos celebrar a herança cultural que o velho mundo nos deixou. Meus antepassados vieram de lá, trazendo a fé cristã, princípios rígidos de vida, respeito ao próximo e amor ao trabalho. Nem importa se tinham descendência de vikings, alemães ou franceses. Aos meus filhos procurei passar suas lições de dignidade, agora enriquecidas com o sangue espanhol que também corre em suas veias. Sei. A Europa foi mais poderosa, mas continua sendo o berço da civilização. Passou pelo obscurantismo, mas soube sair dele para iluminar o mundo com filósofos e pensadores. Fez brotar um mundo civilizado, com leis, regras, multilateralismo e soberania dos povos. O acordo Mercosul e União Europeia vai ser bom para ela e para nós. Beneficiará 700 milhões de pessoas no maior mercado livre do planeta. De lambuja, será contra-ponto à sanha de tiranos e extremistas com suas armas.
Respeito à Europa. Ela foi, é, e será importante para nós. Me associo a Castro Alves, na homenagem que fez a ela, em Vozes da África: “A Europa é sempre Europa, a gloriosa! Artista, corta o mármore de Carrara! Poetisa, tange os sinos de Ferrara! Ora uma coroa, ora um barrete frígio enflora-lhe a cerviz!”
Não me entendam piegas. Só quis celebrar a civilização, na sabedoria da minha ancestralidade. E comemorar o Acordo com a Terra-Mãe.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).