ARTIGO

Respeito quem gosta, mas se tem algo que não me atrai, é filme de ficção. Sim, o irreal e fictício pode vir a ser real um dia e sempre vai inspirar o gênio de estudiosos e magos do futuro. Diante disso, me imponho respeitar e até bater palmas a quem sonha, imagina e cria conhecimento a partir do imaginário. Foi o que fez o nosso Santos Dumont lá em Paris, cavalgando seu 14 bis e vencendo a gravidade. Por isso é ele, um mineiro da gema, o legítimo e verdadeiro pai da aviação. Não são os irmãos Wright, como querem os americanos. A mesma curiosidade que fez o bom mineiro voar, formulou as fantásticas teorias de Einstein e Newton sobre espaço, tempo e gravidade.
Cada coisa no seu lugar e com seu valor. Meu gosto e foco é o palpável, o concreto e o visível. A vida real como é ou deveria ser. Ela quer civilização com liberdade, respeito e dignidade para todos. Estas questões empolgam. Se não consigo compreender espaço e tempo, quero entender o homem e a civilização no seu espaço e no seu tempo. É sobre isso que pairam minhas angústias que partilho com o ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado”.
Tudo isso para dizer que prefiro lidar com o palpável e os fatos, sem desgostar dos outros. “De gustibus et coloribus non est disputandum”, repetia o Pe. Vitório Ostrowski, meu professor no seminário. Não se discute gosto e cor. Cada um tem os seus. O meu olhar para a História que registra o caminho dos homens no tempo, ao Direito que o organiza e à filosofia que abre a mente e faz entender o seu sentido explica-se por aí.
Foi bom que Trump suspendeu a hipocrisia da lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. Era um ataque à soberania brasileira e seu judiciário que protegeram a Democracia, sem se curvar à manobra autoritária. Reparado o erro, lembro que o Partido Republicano lá do norte começou bem. Não era negacionista e nem intervencionista. Defendia o multirateralismo e a Democracia. Aboliu a escravidão dos negros e manteve a unidade do país, em figuras lendárias como Abraham Lincoln e Eisenhower. Infelizmente, hoje guinou à direita e se tornou refém do presidente Donal Trump que cultua a superioridade americana em relação ao mundo e verte ódio à imigração. Se lá todos, menos os indígenas vêm da imigração, isso é pouco republicano e pode mudar. Torço que mude para o bem da humanidade e da harmonia entre as nações. É o mundo real, não o mundo ideal. Ficção e realidade…
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).