CHACINA EM ICARAÍMA

Após novas cobranças feitas por familiares pedindo agilidade e a conclusão das investigações que apuram as circunstâncias e os responsáveis pela chacina de quatro homens em Icaraíma, a Polícia Civil volta a reafirmar que criou uma força-tarefa para agilizar as investigações, mas que não tem prazo para a conclusão.
“Quanto ao tempo das investigações, há inúmeras investigações de homicídios que demoraram longos períodos e, por isso, chegaram a um resultado exitoso, culminando na prisão dos autores e responsabilização criminal dos envolvidos. Dentro da própria área da 7ª SDP, por exemplo, há investigações que duraram um, dois ou mais anos e foram bem sucedidas, garantindo a plena responsabilização criminal. Cada investigação tem sua própria peculiaridade e não é possível estabelecer uma prazo certo para cada caso”, consta em comunicado a imprensa emitido na tarde desta quarta-feira (5).
Familiares de duas das vítimas estiveram mais cedo na delegacia da Polícia Civil em Icaraíma cobrando agilidade e acesso ao inquérito. Segundo a polícia, há apenas um único inquérito, mas várias medidas apensadas que correm em sigilo e que serão liberadas para os advogados das vítimas e dos suspeitos somente após a conclusão.
A Polícia Civil de Umuarama também esclareceu que a divulgação da ficha criminal dos envolvimentos somente agora foi em decorrência das investigações.
“O andamento das investigações revelou a necessidade de levantamento do histórico criminal de todas as partes envolvidas nesse caso, com objetivo de averiguar (confirmar ou afastar) o possível envolvimento das partes (autores e vítimas) com o crime organizado, já que chegou ao conhecimento da Polícia Civil que a dívida e a cobrança não teria como base apenas o desacerto envolvendo a propriedade rural em Vila Rica, mas também negócios ilícitos entre as partes. No momento, não é possível afirmar que existia essa relação ilícita entre as partes, mas tudo está sendo apurado dentro das investigações”, consta em nota da Polícia Civil.
Também foi divulgado que entre as vítimas, duas delas, Rafael Juiano Marascalche e Robishley Hirnani de Oliveira chegaram e ser presos em decorrências de crimes anteriores. “Consta que foram presos o Rafael (ano 2005, 2007, 2008, 2010) e Robishley (ano 2022). Em relação ao Diego (Henrique Afonso), não consta prisão, mas apenas os registros já indicados”, consta em nota.
Entre as quatro vítimas, três possuíam diversos registros criminais, especialmente relacionados a ameaças, estelionato e violência doméstica — conduta que reforça o perfil de cobradores que “faziam pressão” em dívidas de difícil recebimento, conforme apuração da Polícia Civil.
Sobre a dinâmica do crime e o exato momento em que as quatro vítimas foram executadas, a Polícia Civil informou que “A definição do exato momento da morte e a dinâmica dos fatos depende da conclusão de diversos laudos periciais. Não é possível indicar com precisão essas informações sem a análise conjunta dos laudos, sob pena de se divulgar informações que não tenham total correspondência com a verdade dos fatos. Assim, a Polícia Civil aguarda a conclusão de todos os laudos para formar sua opinião sobre esses cenários e não antecipar conclusões que se mostrem, posteriormente, inverídicas”.

A Polícia Civil do Paraná divulgou nesta terça-feira (4) o histórico criminal das vítimas e suspeitos envolvidos na chacina de Icaraíma, que vitimou quatro homens desaparecidos desde 5 de agosto e encontrados mortos em 18 de setembro.
As investigações apontam que a execução dos cobradores Rafael Juliano Marascalchi (43 anos), Diego Henrique Affonso (39) e Robishley Hirnani de Oliveira (53), além do contratante Alencar Gonçalves de Souza (morador de Icaraíma), teria sido motivada por uma disputa relacionada à venda de uma propriedade rural no valor de R$ 250 mil. O negócio, intermediado por Alencar e a família Buscariollo, teria gerado o desentendimento que culminou nos assassinatos.
Eles desapareceram no dia 05 de agosto e foram encontrados mortos em 18 de setembro, enterrados em uma área de mata de difícil acesso na zona rural de Icaraíma.
Os principais suspeitos, Antônio Buscariollo (66) e o filho Paulo Ricardo Buscariollo, estão foragidos desde o dia posterior ao desaparecimento das vítimas e tiveram as prisões decretadas pela Justiça.