ICARAÍMA
Os trabalhos de rastreio, localização e retirada dos restos mortais dos quatro homens desaparecidos em Icaraíma, levou quase 24 horas. Equipes das Polícias Civil e Científica começaram as buscas por volta das 6 horas de quinta-feira (18) e concluíram às 5h40 desta sexta-feira (19).
Os corpos dos quatro desaparecidos estavam enterrados a cerca de 500 metros do local onde foi encontrada também enterrada, a caminhonete Fiat Toro branca, usada pelas vítimas, em um ponto conhecido como Mata do Tenente, na área rural e erma do distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma. O ponto exato não será divulgado, mesmo após a conclusão dos trabalhos dos peritos, que neste momento ainda estão em campo.

Segundo a Polícia, durante as buscas os agentes perceberam que havia uma área dentro da mata em que a vegetação estava diferente do restante, o que chamou a atenção. Máquinas pesadas da Prefeitura de Icaraíma foram acionadas e auxiliaram nos trabalhos. As escavações começaram por volta das 23 horas, ou seja, mais de 17 horas de buscas.
A conclusão dos trabalhos ocorreu por volta das 5 horas desta sexta-feira. Na sequência a Polícia Científica foi acionada para fazer o trabalho pericial no local e recolher os corpos. Os peritos enfatizaram que o local é de difícil acesso.

De acordo com a polícia, preliminarmente foi possível verificar que os corpos apresentavam sinais de violência, como disparos de arma de fogo, principalmente nas regiões do tórax e cabeça. Contudo, somente após a perícia será possível esclarecer a condição que levou a morte de cada vítima.
O delegado-chefe da 7ª SDP, Gabriel Menezes, enfatizou que as investigações seguem para a completa identificação dos autores desse crime, mas ainda em sigilo em razão da natureza dos trabalhos realizados. “Pedimos a paciência e compreensão de todos para que as investigações continuem e deem resultados. Neste momento não podemos divulgar dados da investigação, linha investigativa. Pedimos a compreensão da família, da sociedade e da imprensa”.
O delegado da Polícia Civil de Icaraíma, Thiago Andrade, ressaltou que o trabalho agora será voltado para a coleta de novas provas, análise das evidências do que já foi recolhido para a efetiva elucidação do caso”.
Gabriel Menezes ainda ressaltou a importância do trabalho e colaboração de todas as forças de segurança, como Polícias Militar, Ambiental, Corpo de Bombeiros e Força Nacional, além da Secretaria de Segurança Pública.
Hoje completa 44 dias do desaparecimento dos cobradores paulistas Rafael Juliano Marascalche (43 anos), Diego Henrique Afonso (39) e Robishley Hirnani de Oliveira (53), além do morador de Icaraíma e contratante do grupo, Alencar Gonçalves de Souza. Eles foram vistos pela última vez na manhã de 5 de agosto, em uma panificadora no centro de Icaraíma.

Cerca de duas horas depois, as famílias perderam contato com eles. A informação era de que iriam ao encontro de Antonio Buscariollo, 66 anos e de seu filho Paulo Ricardo Buscariollo, apontados pela polícia como os principais suspeitos do crime. Eles estão com a prisão provisória decretada pela justiça e são considerados foragidos. Não se descarta a participação de mais pessoas no assassinato.

Na última sexta-feira (12), uma equipe da Polícia Ambiental de Umuarama localizou a caminhonete Fiat Toro branca, utilizada pelos paulistas, enterrada em um bunker na zona rural do distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma. O local fica a aproximadamente nove quilômetros do Pesqueiro Buscariollo, de propriedade dos principais suspeitos de envolvimento no desaparecimento.
O veículo apresentava várias marcas de tiros e vestígios de sangue. Neste dia, houve a expectativa de que os corpos das vítimas seriam encontrados, o que não ocorreu.
A descoberta reacendeu as buscas. No sábado (13), equipes do Corpo de Bombeiros de Curitiba, com cães treinados para localizar cadáveres, foram deslocadas para a região, mas as varreduras em pontos indicados pela investigação foram infrutíferas. Projéteis e cartuchos de calibre 9 milímetros em uma propriedade rural próxima ao local onde teria ocorrido a cobrança de uma dívida foram encontrados durante as buscas, além de sinais de tiros em árvores.

Segundo o delegado Gabriel Menezes, a origem da situação é a venda de uma propriedade rural por Alencar de Souza para um dos familiares de Antonio Buscariollo. O negócio teria sido fechado por R$ 250 mil e a transferência da área chegou a ser formalizada no Cartório de Registro de Imóveis em 05/08/2024. O problema começou quando nenhuma das 10 notas promissórias no valor de R$ 25 mil cada foi quitada. Ainda segundo o delegado, o valor divulgado inicialmente de R$ 1 milhão não é o real.
Sem receber qualquer valor, Alencar de Souza contratou os cobradores Rafael Marascalche, Diego Afonso e Robishley de Oliveira, de São José do Rio Preto (SP). Segundo o delegado, familiares relataram que o trio era especializado em cobrar dívidas consideradas perdidas. Eles agiriam ‘fazendo pressão’, no devedor. “Mas as famílias negam que eles atuavam com violência”, disse Menezes.
O trio chegou na segunda-feira (4) em Icaraíma e um encontro com os devedores foi marcado para o dia seguinte, 5 de agosto, último dia em que foram vistos com vida.