Dr. Eliseu Auth

COLUNA

Estradas antigas e a nossa Estrada Velha

29/07/2025 10H01

Jornal Ilustrado - Estradas antigas e a nossa Estrada Velha

Asfaltar a nossa histórica e poeirenta “Estrada Velha”, a dos pioneiros, não é só ato administrativo, mas homenagem à sua e nossa história. Começou com Celso, mas o Prefeito Fernando Scanavaca coloca o ponto final nesse justo tributo. Importante que os lindeiros com testada vão fazer sua parte na justa contribuição de melhoria. Darão a gramagem das laterais para preservá-lo, como sugerido pela Administração. Esse jeito gerir tudo no diálogo dos interesses sempre é benvindo e nem é pieguice reconhecê-lo e exaltá-lo.

Acho que não é só para mim. A Estrada Velha evoca a memória afetiva como estradas antigas fazem. Houve tempo em que, lá na infância, a tarefa de cuidá-las e conservá-las era da população. Passa um filme de uma cena do tempo que registra imagens armazenadas do grande mutirão dos moradores da Linha Salto. Era o povo arrumando a estrada da infância que levava à Escola, á Igreja, ao bolicho, ao açougue e ao alfaiate. Cortada por sangas e riachos, era feita de pedra e chão. Barrenta em dias de chuva e poeirenta nos de sol. Era a que tinha. No filme do mutirão tem junta de boi e de cavalos do pai. Um formigueiro de padiolas, arados, picaretas batendo ao som de muita conversa.

Pois é. Deveria chamar o Ítalo para escrever melhor a minha história e as que sabe sobre nossas estradas e a querência de Umuarama. Tento fazer o que posso e deixo o sentimento falar. Me lembrei que um grande amigo e colega Promotor que escreveu um poema premiado sobre estradas antigas. Luiz Sartori é um poeta de mão cheia que construía versos que encadeavam idéias à imagem de Castro Alves, o nosso primus inter pares. Sua dedicatória e seu poema “Estradas Antigas” me honram ma minha biblioteca. Com a primeira estrofe quero fazer um mimo ao ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado” e uma homenagem à nossa Estrada Velha que está recebendo roupa nova. Lá vai: “Serpenteando os morros e as canhadas, imperavam majestosas, as antigas estradas, velhas picadas, aplainadas nos cascos dos animais, nas diuturnas carreteadas. Poeirentas. Tranqüilas. Lamacentas. Veredas do desbravamento alinhavadas.” Gostei, gosto e gostarei de todas essas saudosas evocações que me trazem as Estradas antigas e a nossa Estrada Velha.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).