Umuarama

CASO ALLÉSSIO SANDRI

CRM suspende direito de pediatra atuar profissionalmente após denúncias de abuso

15/07/2020 15H34

No endereço onde funcionava a clínica do pediatra, há uma placa indicando que o imóvel está para locação

O Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná determinou a suspensão do direito de atuar do pediatra Alléssio Fiori Sandri Júnior. A decisão foi publicada nesta terça-feira (14) pelo órgão regulador da profissão e tem efeito imediato em todo o território nacional.

SUSPENSÃO

A decisão é provisória e administrativa e o médico tem 30 dias para apresentar defesa a partir da sua notificação. Pelo documento emitido pelo CRM a decisão impeditiva foi tomada em sessão plenária do CRM em 06 de abril de 2020 e aguardava publicação legal para passar a ter validade.

ABUSOS

O médico foi acusado em dezembro de 2019 por três pacientes e uma estagiária de ter supostamente cometido abuso sexual durante consultas médicas. As investigações são conduzidas pela Delegacia da Mulher e pelo Ministério Público. Após as primeiras acusações outras também chegaram ao conhecimento público. São mais de sete casos em investigação.

DENÚNCIAS

O caso veio a tona após a atriz umuaramense Nina Marqueti realizar a denúncia nacional através de reportagem da Rede Record.

A voz de Nina Marqueti ganhou coro com outras quatro denúncias, registradas aqui em Umuarama. Uma delas contra uma estagiária, na época com apenas 17 anos e as outras três de pacientes, duas pelo menos adolescentes.

Na época das denúncias, o Ilustrado conversou com duas das vítimas e teve acesso aos boletins de ocorrência, onde as vítimas relatam de forma muito similar a forma como os supostos abusos aconteceram.

PROCESSOS

Das denúncias formalizadas, apenas um já se tornou processo e está previsto agora em julho a segunda audiência. Os demais ainda estão na fase de investigação pelo Ministério Público.

Segundo a advogada que representa sete das vítimas, Manuela de Carvalho Marques Gaspareto, considerando todas as paralisações por conta da pandemia do Covid19 todos os casos estão correndo relativamente rápidos e dentro das expectativas

#ONDE DÓI

As vítimas relataram que durante os exames físicos o médico pedia para subirem a blusa e abrirem a calça. Quando começava a apalpar a barriga, acabava descendo a mão em direção a calcinha das meninas, segundo os boletins. Segundo as denúncias, os toques eram feitos sempre com a justificativa de fazer parte do exame.

Após as denúncias Nina criou a campanha #Onde dói, que incentiva denúncias de vítimas de abusos médicos.

OUTRO LADO

O jornal Umuarama Ilustrado está desde o início da manhã tentando contato por telefone com o médico pediatra Alléssio Fiori Sandri Júnior. O consultório, na avenida Angelo Moreira da Fonseca, está fechado e com placa de ‘aluga-se’.

O Ilustrado deixa o espaço aberto para manifestação do profissional.