Região

ESCÂNDALOS

Câmara de Xambrê tem terceira mudança na presidência em apenas quatro meses

11/09/2026 19H47

Jornal Ilustrado - Câmara de Xambrê tem terceira mudança na presidência em apenas quatro meses
Vereadores Ademir, Edinalvo e Mauro.

A Câmara de Vereadores de Xambrê voltou a ser alvo de uma investigação policial e, em apenas quatro meses, chega à terceira mudança em sua presidência. A nova crise veio à tona nesta sexta-feira (11), quando o Núcleo de Umuarama do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) deflagrou uma operação para apurar possíveis crimes sexuais contra pelo menos 16 adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos.

Entre os investigados está o vereador Edinalvo Lima Venturi (MDB), que exercia a presidência interina da Câmara. Também é investigado Pedro Henrique da Silva Mota, secretário municipal de Cultura, que foi exonerado pela Prefeitura de Xambrê nesta sexta-feira.

Segundo o delegado do Gaeco, Matheus Prado Amui Rodrigues, os dois investigados teriam utilizado diferentes formas de abordagem para atrair e persuadir adolescentes. Entre os benefícios supostamente oferecidos estavam dinheiro, pagamentos via Pix, bolas de futebol e até oportunidades de estágio em órgãos públicos.

A investigação coloca mais um capítulo em uma sequência de turbulências envolvendo o Legislativo municipal.

Jornal Ilustrado - Câmara de Xambrê tem terceira mudança na presidência em apenas quatro meses

TERCEIRA MUDANÇA EM QUATRO MESES

A atual crise teve início após Ademir Leite (PL), conhecido como “Cabeção”, então presidente da Câmara, deixar de ser localizado pelas autoridades. Ele está foragido desde 7 de maio, após se envolver em uma ocorrência de violência doméstica.

Em junho, Ademir foi condenado a 10 meses e 25 dias de detenção pelos crimes de embriaguez ao volante e resistência. A ocorrência que resultou na condenação aconteceu em abril de 2025.

Com o afastamento de Cabeção, o então vice-presidente, Edinalvo Venturi, assumiu a presidência interinamente. Agora, após aparecer entre os investigados na operação do Gaeco, ele deixa o comando da Casa.

A presidência passa a ser exercida pelo primeiro-secretário, Mauro Cidino (MDB).

Apesar das mudanças, Ademir Leite ainda aparece como presidente da casa no site da Câmara.

CÂMARA DIZ REPUDIAR ABUSOS

Em nota, a Câmara de Xambrê afirmou ser “terminantemente contra qualquer forma de abuso, violência ou exploração sexual de crianças e adolescentes” e declarou que não há justificativa, tolerância ou espaço para esse tipo de crime.

Ao mesmo tempo, o Legislativo destacou a necessidade de respeito à presunção de inocência e ao direito de defesa dos investigados.

A Câmara afirmou ainda que as investigações devem seguir seu curso e que, caso os fatos sejam comprovados, os responsáveis deverão responder perante a Justiça, conforme determina a lei.

A investigação do Gaeco continua para esclarecer as circunstâncias das denúncias e a eventual participação dos investigados nos fatos apurados.