ARTIGO

Todos nós vimos a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. A excitada troupe da extrema direita deitou e rolou, fez festa e comemorou a desordem. Não! Não foi um troféu, mas um golpe na cara da ordem democrática. Agora, é preciso enfrentá-lo. Messias sempre foi e é um homem de bem, equilibrado, com notório saber jurídico, vida ilibada e um defensor intransigente da Constituição e da democracia. Essas premissas é que deveriam interessar à sabatina do Senado. Mas, não! O que queriam era saber sua postura sobre uma anistia inconstitucional ao golpismo que pretendem. No radar, o que querem é enfraquecer a democracia, protegendo os golpistas.
Na minha visão, os votos dos senadores nem deveriam ser secretos e sem fundamentação. Pela importância da decisão, simplesmente votar sim ou não, em segredo e sem dizer porque, não faz o menor sentido porque fere o princípio da transparência consagrado na Constituição democrática que temos.
Agora que o estrago está feito, em conchavos escusos ou não, a vida segue. Quem é sensato e pensa, deduz e sabe que o verdadeiro objetivo da manobra era impedir a aprovação de um democrata e criar a desordem. Talvez postergar a indicação, deixar o tempo passar até o próximo governo que o extremismo sonha conquistar. Este é o desafio dos que querem a Democracia.
Me inspiro num comentário que vi na TV Fórum. Também acho que é preciso confrontar a tresloucada desordem que os extremistas querem instalar. É imperioso que o Presidente da República indique logo um outro nome para compor o Supremo. De meu gosto e desejo, também deveria ser o nome de uma mulher negra, já que a Corte só tem uma mulher. Negros são a maioria no país e mulheres também são maioria. É preciso dar-lhes o lugar que merecem nesta Terra de Santa Cruz. Se for, fico de plantão e quero ver se o Senado da República terá coragem para rejeitá-la ou fazer corpo mole para a indicação.
Como as eleições estão próximas, ficará escancarado quem é quem na luta pelo poder. Sei bem que a extrema direita está incomodada com o Supremo Tribunal Federal que condenou o golpismo. No fundo, ela está de olho na Constituição interpretada pelos Ministros, garantindo a Democracia que ela odeia. Aí está a razão da festa que fez na rejeição do democrata Jorge Messias.
Ficou claro como a luz do sol que o extremismo quer dominar o Supremo que sempre garantiu a Democracia, cláusula pétrea na Constituição. Por isso, aposta na desordem. Vamos enfrentá-lo! Ao confronto democrático!
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).