ARTIGO

A fé que meus pais me legaram ainda no berço, festeja a Páscoa da ressurreição de Cristo como a maior de todas as festas. Me ensinaram fazer o sinal da cruz e falaram da peregrinação terrena do nosso Salvador que se fez gente como nós, pregou a nova ordem do amor a Deus e ao próximo, foi humilhado, coroado de espinhos e morto na cruz, mas resssuscitou.
Ano após ano, a liturgia da Igreja revive a Páscoa para nos advertir sobre o ideário pregado pelo doce nazareno. Claramente, não é o caminho de ódio, discriminação, intolerância e dominação que tomou conta deste mundo nos dias de hoje. Pouco, ou nada valem comes e bebes, ovos de páscoa e festa mundana, sem amor a Deus e ao próximo, respeito às boas regras de convivência entre pessoas, povos, nações e governos. Autocracias, ditaduras e tiranias passam longe do espírito da Páscoa. É bom que atentemos para isso.
Pode que seja apócrifa, mas julgo oportuno lembrar a carta de Públio Lêntulus, governador da Judéia ao tempo de Jesus, para o Imperador César Augusto. Ela se diz testemunha presencial de Cristo na terra e conta: “(…) pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos o dizem filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: Cura enfermos e ressuscita mortos. É um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem, são forçados a amá-lo ou temê-lo. (…) Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma e uso dos nazarenos. (…) Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas antes chorar. (…) É o mais belo homem que se possa imaginar, semelhante à sua mãe. (…) Se a majestade tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não tardarei mandá-lo. (…) De letras, faz-se admirar de toda Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Caminha descalço e sem cousa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, tremem e o admiram (…).” (in “As 100 mais belas Mensagens – Átila Borges – Edit. Entre Nuvens e Estrelas – 79).
A carta enaltece o fantástico ser humano e divino que foi Jesus na sua peregrinação terrena. Ainda que não esteja nos cânones das escrituras, faço dela uma homenagem à Páscoa que é a maior festa da cristandade.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).