ARTIGO

Estamos às portas da Cop-30 em Belém, onde o mundo vai meditar sobre o clima do planeta que aquece. Estamos no limite e não podemos passar de 1.5º celtius de aquecimento, onde já estamos, ameaçando o derretimento das geleiras e o aumento do nível dos mares como alertam os cientistas. Atrás virão desastres ambientais com inundações, secas e tufões. Todos, governos, entidades e habitantes do planeta, precisamos fazer nossa parte. Trata-se de cuidar do único lugar que temos para morar. Espanta o descaso com a questão climática que ameaça nossa sobrevivência. A questão deveria ocupar mais a imprensa, escolas, ruas e redes sociais. E é muito triste que ainda existam negacionistas quanto ao aquecimento que ameaça todos, inclusive eles.
O perigo está à nossa frente e a COP-30 será mais uma advertência. Ela evoca o apito do trem no meu tempo de estudante, lá na Av. Rio Branco, em Santo Ângelo-RS, onde morei. Ali, anunciava o perigo de cruzar o trilho, ignorando a placa “Parar, olhar e escutar”. Esse som ainda ecoa no imaginário.
Já em voz rouca, ciência e cientistas alertam que precisamos cuidar da nossa única morada. Não é capricho de sonhadores ou nefelibatas. Só temos duas opções: cuidar ou cuidar do planeta! Se ele ficar inóspito, não teremos para onde ir. No universo devem existir outros planetas habitáveis, mas estarão longe e serão inalcançáveis por nós. Então, cuidemos do nosso que ainda tem águas, ar, oxigênio, sol, chuva e terras para plantar e nos alimentar.
Nós, cidadãos deste planeta, podemos fazer nossa parte com uma cultura ambiental que recicla lixo, evita queimadas e emissão de gazes poluentes, plantando árvores, protegendo rios e águas correntes com matas ciliares. Se é pouco, muitos poucos darão no muito. E, quando votarmos, que seja em quem defende o meio ambiente e a saúde da nossa casa que é o planeta Terra. Aos governos cabe planejar e implementar políticas públicas sustentáveis.
Aqui no Brasil, os biomas devem ser sagrados e intocáveis. Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pampa, assim como os outros micro-biomas com árvores e vegetação benfazeja também pedem mais proteção. Ouçamos as advertências. Temos o agro consciente, mas há os que insistem em avançar sobre a floresta amazônica com bois e soja, em busca do lucro. É preciso dar-lhes um basta. Se continuarmos destruindo a Amazônia, amanhã a ganância terá bois sem pasto e terras sem plantação, tudo por falta das chuvas. Será o fim dos “rios voadores” que a floresta produz, distribuindo chuvas pelo país inteiro. Benvinda a Cop-30 que adverte como o apito do trem.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).