INVESTIGAÇÃO

Um homem de 56 anos, foi preso em flagrante na tarde de quarta-feira (15), em Umuarama, suspeito de se passar por policial civil para aplicar golpes em comerciantes da região. A prisão foi realizada por agentes da 7ª Subdivisão Policial (SDP) no momento em que ele tentava convencer mais uma vítima a pagar por um suposto anúncio publicitário.
Segundo o delegado-chefe da 7ª SDP, Dr. Izaías Lima, o investigado se apresentava como policial civil e representante de uma associação ligada à categoria para vender espaços publicitários em uma revista.
De acordo com a investigação, após abordar empresários oferecendo anúncios e assinaturas da publicação, o suspeito passava a constranger moralmente aqueles que recusavam a proposta. “Ele dizia frases como: ‘Você não está feliz com o trabalho da Polícia Civil? A Polícia Civil não está trabalhando bastante? Por que você não contribui?'”, explicou o delegado.

Prisão
A prisão ocorreu em um estabelecimento comercial às margens da Rodovia Moacir Loures Pacheco, em Umuarama.
No local, a vítima, um comerciante de 65 anos, relatou aos policiais que o homem havia se identificado como policial civil e solicitado valores entre R$ 500 e R$ 1 mil para a publicação de anúncios.
Quando a equipe policial chegou ao estabelecimento, a vítima já estava prestes a realizar um pagamento de R$ 500, momento em que o suspeito foi abordado e preso em flagrante pelo crime de estelionato.
Durante a revista no veículo utilizado por ele, os policiais encontraram quatro ofícios direcionados a delegacias de polícia e diversos comprovantes de depósitos bancários realizados por outros estabelecimentos comerciais.
Todo o material foi apreendido e encaminhado para a delegacia juntamente com o investigado, que posteriormente foi levado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Cruzeiro do Oeste
As investigações tiveram início após um comerciante de Cruzeiro do Oeste procurar a Polícia Civil para denunciar o golpe. Segundo o delegado, a vítima havia efetuado um pagamento de R$ 500 via PIX, mas, ao desconfiar da situação, conseguiu solicitar o estorno da transferência junto à instituição financeira.
No dia seguinte, o suspeito retornou ao estabelecimento para questionar o motivo do cancelamento do pagamento. “Ele tentou de alguma forma recuperar esse dinheiro definitivamente do comerciante”, afirmou o delegado Izaías Lima.
Antes da chegada da polícia, o homem deixou Cruzeiro do Oeste em direção a Umuarama, onde acabou localizado e preso enquanto tentava fazer uma nova vítima.

Outras vítimas
De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que diversos comerciantes de Umuarama tenham sido abordados utilizando o mesmo método.
A investigação também aponta registros de vítimas no estado de Mato Grosso do Sul. O suspeito é natural de Santa Catarina.
Segundo o delegado, os empresários acreditavam que estavam colaborando com uma ação institucional da Polícia Civil. “Ao que tudo indica, ele utilizava a revista apenas como fundamento para realizar essa coação sobre as vítimas”, destacou.
A Polícia Civil orienta que empresários que tenham sido procurados pelo suspeito registrem boletim de ocorrência para auxiliar nas investigações.
Alerta
Após o caso, a Polícia Civil reforçou que não solicita dinheiro, doações ou contribuições financeiras em nome da instituição. Qualquer pessoa que seja abordada por alguém se identificando como policial civil e pedindo valores deve comunicar imediatamente a Polícia Civil ou denunciar pelo telefone 181.
“Nosso trabalho é realizado pelo Estado e pago pelo Estado para servir a população. A Polícia Civil não pede dinheiro nem doações em troca dos serviços prestados”, enfatizou o delegado Izaías Lima.

O que diz a revista
A reportagem entrou em contato com a direção da Revista Investigador Policial, citada pelo suspeito durante as abordagens.
Em nota, a direção informou que o homem havia sido contratado no início de 2026 como vendedor autônomo, mas que existia cláusula contratual proibindo expressamente o uso do nome da Polícia Civil ou de qualquer órgão público para comercialização dos anúncios.
A revista existe há 25 anos, possui circulação em todo o Paraná e é distribuída gratuitamente, sendo mantida por meio da venda de publicidade. A direção também informou que todos os anúncios comercializados pelo suspeito serão publicados normalmente.
A empresa afirmou ainda que lamenta o ocorrido e ressaltou que o vendedor responderá individualmente por seus atos.
“Temos ciência do ocorrido e ele responderá pelos seus atos. Quanto às empresas que negociaram anúncios, todos serão publicados normalmente. No nosso entendimento, não há estelionato em relação à revista, pois ela existe; o que ocorreu foi o uso de falsa identidade. Lamentamos profundamente o fato”, informou.