Umuarama

FRAUDE ELEITORAL

Vereador Lucas Grau diz estar surpreso com cassação e que deve deixar cargo

22/09/2025 18H03

Jornal Ilustrado - Vereador Lucas Grau diz estar surpreso com cassação e que deve deixar cargo
TREPR derrubou liminar e fez valer decisão de primeiro grau que cassou Lucas Grau

O vereador Lucas Grau disse que acompanhou o julgamento online do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná que cassou o seu mandato e afirmou estar surpreso com a decisão. “A relatora foi a nosso favor. Ela entendeu que houve campanha por parte da Juliana, mas que não decolou”, afirmou. Também ressaltou que nas ruas e nas redes sociais as pessoas relatam para ele sentimento de revolta com a decisão.

Lucas afirmou ainda não saber se seu afastamento será de imediato ou não. “Estou tentando conversar com o advogado do Partido Novo, que é de Curitiba. Eu acredito que serei afastado”, ressaltou.

“As pessoas estão me dizendo que eu não fiz nada de errado, então que a punição não deveria ser para mim. Mas sabemos que não é assim”, afirmou e emendou. “Independente de continuar neste momento como vereador ou não, meu trabalho junto à comunidade e à sociedade continua”, afirmou.

O julgamento do Partido Novo ocorreu na tarde desta segunda-feira (22) e foi transmitido ao vivo pela página oficial do TRE-PR no YouTube. Por seis votos contra um, o TRE-PR derrubou a liminar concedida ao Partido Novo em abril e reconheceu a validade da sentença de primeiro grau da Justiça Eleitoral de Umuarama que anulou todos os 4.558 votos obtidos nas urnas pelo Partido Novo na última eleição para o cargo de vereador de Umuarama em outubro de 2024.

Com isso, o vereador eleito pela legenda com 1.906 votos, Lucas Grau, perde o mandato. A decisão é provisória e cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

ENTENDA

No último pleito municipal, o Partido Novo lançou dez candidatos a vereador, sendo três mulheres. Entre elas estava Juliana Clara Monico, esposa do pastor José Francisco de Paula Júnior, o Pastor Jotha Júnior, que também disputou o pleito pela mesma legenda. Juliana obteve apenas cinco votos e segundo a Justiça Eleitoral, não conseguiu comprovar ações consideradas de campanha, como pedir votos para si, produção e distribuição de material impresso, campanha em redes sociais, entre outras ações.

Segundo o desembargador Luiz Osório Moraes Panza, que abriu divergência da relatora, a desembargador Tatiane de Cassia Viese, a candidatura de Juliana Clara Monico foi fraudulenta, formalizada apenas para preenchimento de legenda de cotas femininas de 30%, que é obrigatório por lei. Segundo o desembargador, o conjunto de ausências, levou ao reconhecimento da prevalência da sentença de primeiro grau.

NULIDADE

Em 08 de abril, a Justiça Eleitoral anulou todos os votos obtidos nas urnas pelo Partido Novo na eleição para o cargo de vereador de Umuarama em outubro de 2024.

Na decisão, a juíza da 89ª Zona Eleitoral, Sandra Lustosa, disse que houve fraude à cota de gênero com o registro de candidatura fictícia de Juliana Clara Monico. Na decisão, foi declarada a inelegibilidade de Juliana Monico pelos próximos 8 anos.

DEFESA

Em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral, Juliana apresentou uma declaração de gastos de R$ 245,00 refente a material impresso, que teria bancado com recursos próprios. Na campanha, cada candidato a vereador estava autorizado a gastar até R$ 69.385,61 de recursos próprios ou do Fundo Partidário. O Ilustrado tenta contato com Juliana Monico. O espaço está aberto para manifestação.