Cotidiano

RESIDENTE EM ORTOPEDIA

Veja o que se sabe e quem é o médico que tentou matar professor em hospital de Umuarama

15/04/2026 19H01

Jornal Ilustrado - Veja o que se sabe e quem é o médico que tentou matar professor em hospital de Umuarama

Um grave incidente registrado na tarde desta quarta-feira (15) mobilizou forças de segurança e causou grande repercussão em Umuarama. O médico residente Gabriel Damasceno Camargo, de 27 anos, foi preso após efetuar disparos de arma de fogo durante uma consulta no Hospital Cemil e, em seguida, roubar um veículo nas proximidades da unidade de saúde.

De acordo com informações repassadas em entrevista coletiva pelo comandante do 25º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Carlos Peres, o residente estava em seu terceiro atendimento do dia, acompanhado do médico preceptor, que seria o alvo dos disparos. No consultório estavam o professor, o residente e uma paciente de 58 anos.

Segundo a PM, Gabriel sacou a arma e atirou à queima-roupa contra o preceptor. No entanto, o disparo atingiu a paciente na cabeça, na região da testa, de raspão. Ela foi socorrida pela equipe hospitalar e permaneceu em observação durante a tarde, em estado de choque.

O médico professor relatou que não percebeu qualquer comportamento suspeito antes do ataque. “Apenas escutei um estampido muito forte e, logo depois, vi a paciente no chão”.

Após o disparo, o residente fugiu a pé e roubou um Toyota Corolla na Avenida Gastão Vidigal, nas proximidades do hospital. Durante a ação, ele rendeu o motorista e efetuou um disparo no chão. Conforme a Polícia Militar, o suspeito apresentava sinais de grande alteração psicológica e estava bastante agitado.

As equipes policiais, que já realizavam buscas, ouviram os tiros e conseguiram localizá-lo rapidamente. Gabriel foi abordado, não reagiu à prisão e permaneceu em silêncio, sem fornecer detalhes sobre o ocorrido.

Com ele, foi apreendido um revólver calibre .32, contendo seis munições — três deflagradas e três intactas — além de outras 17 munições intactas e duas deflagradas encontradas em seu bolso. A arma não possuía registro e o autor não tinha porte legal.

“É uma arma pequena, assim como as munições, fácil de esconder, ainda mais com o jaleco”, explicou o comandante Carlos Peres.

Gabriel Damasceno Camargo formou-se pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e cursava o primeiro ano da residência médica em ortopedia e traumatologia no Hospital Cemil. Até o momento, não é possível afirmar se o crime foi premeditado.

Pacientes que já foram atendidos pelo residente demonstraram surpresa com o ocorrido. “Fiquei assustada quando vi a notícia. Meu filho já foi atendido por ele e achei um médico atencioso”, relatou uma mãe.

O suspeito permanece preso na 7ª Subdivisão Policial de Umuarama. Até o fechamento desta matéria, a Polícia Civil ainda não havia divulgado novas informações sobre o caso.

Nota do Hospital Cemil

O Hospital Cemil divulgou nota oficial informando que o episódio se trata de um incidente isolado ocorrido em suas dependências.

“A Polícia Militar foi imediatamente acionada e o caso está sendo devidamente apurado pelas autoridades competentes, com as quais esta instituição de saúde colabora integralmente”, informou a Associação Beneficente São Francisco de Assis.

A instituição ressaltou ainda que repudia qualquer tipo de violência e que medidas cabíveis estão sendo adotadas internamente, reafirmando seu compromisso com a segurança, a ética e a qualidade no atendimento. Por respeito aos envolvidos e ao sigilo das investigações, não serão fornecidos detalhes adicionais neste momento.

CRM-PR instaurará sindicância

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se manifestou e informou que instaurará processo de sindicância para apurar as circunstâncias do fato.

Segundo o órgão, caso seja comprovada conduta violadora das normas éticas, as sanções previstas podem variar de advertência confidencial até a cassação do exercício profissional, conforme a gravidade do caso.

O CRM destacou ainda que, conforme a Resolução CFM nº 2.306/2022, as sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam sob sigilo, garantindo o contraditório e a ampla defesa.

Defesa do residente

A reportagem também entrou em contato com o advogado do médico residente, Dr. Robson Meira. Segundo ele, o cliente está em estado de choque e não tem condições de se manifestar neste momento.

“O cliente está assustado com tudo o que ocorreu e não tem condições de descrever os fatos agora”, declarou.

O caso segue sob investigação das autoridades competentes.