Projeto Dindo

Crianças e adolescentes acolhidos em instituições de Umuarama poderão contar com uma nova rede de apoio por meio do Projeto Dindo – Apadrinhamento Afetivo, apresentado na tarde desta quarta-feira (19), no Fórum da cidade. A iniciativa busca aproximar pessoas dispostas a oferecer afeto, convivência e apoio àqueles que já foram destituídos do poder familiar e ainda não conseguiram uma família adotiva.
O encontro de apresentação foi conduzido pela juíza de Direito da Vara da Infância e Juventude, Márcia Andrade Gomes, e reuniu representantes de diferentes segmentos da sociedade. Segundo a magistrada, o projeto já funciona há mais de uma década em Curitiba e, por meio do Projeto Apadrinha Paraná, passou a ser expandido para outras regiões do Estado.
Umuarama, conforme destacou a juíza, é a primeira comarca fora de Curitiba a implantar a iniciativa.
“É um projeto que visa alcançar crianças acima de 10 anos de idade que já foram destituídas do poder familiar, ou seja, não vão mais retornar para suas famílias, mas ainda não conseguiram pais adotantes”, explicou Márcia Andrade Gomes.
Diferentemente da adoção, o Projeto Dindo não cria vínculo de filiação. A proposta é proporcionar à criança ou adolescente uma pessoa de referência, com quem possa construir um vínculo afetivo e contar em diferentes momentos da vida.
O padrinho ou madrinha poderá ajudar, por exemplo, na orientação sobre escolhas pessoais e profissionais e no desenvolvimento da autonomia. “É alguém que possa ajudá-lo, direcioná-lo, ajudar nas escolhas da vida”, afirmou a magistrada.
Além do apadrinhamento afetivo, a iniciativa também prevê outras formas de participação. Uma delas é o apoio financeiro, destinado a pessoas que desejam contribuir com necessidades específicas de crianças e adolescentes, mesmo sem estabelecer uma convivência presencial.
Entre as possibilidades estão o custeio de tratamentos odontológicos, consultas especializadas, aquisição de óculos ou colocação de aparelhos dentários.
No apadrinhamento afetivo, por outro lado, os padrinhos e madrinhas poderão conviver com os afilhados em fins de semana, datas especiais e períodos de férias. O processo ocorre de maneira gradual e é acompanhado por uma equipe técnica especializada.
O foco do projeto são crianças e adolescentes com mais de 10 anos de idade. Segundo Márcia Andrade Gomes, as chances de adoção são maiores para crianças menores e, por isso, aquelas que permanecem por mais tempo nas instituições de acolhimento costumam ser justamente as mais velhas.
“Via de regra, as crianças que remanescem nas entidades são as crianças acima dessa idade”, afirmou.
A magistrada explicou que o projeto busca justamente alcançar crianças e adolescentes que, embora estejam disponíveis para adoção, possuem menores perspectivas de encontrar uma família adotiva.
A implantação da iniciativa em Umuarama já começa com quatro crianças e adolescentes em condições de serem inseridos no programa. Segundo a juíza, algumas delas já contam com pessoas interessadas em iniciar o processo de apadrinhamento.
Para se tornar padrinho ou madrinha, é necessário ter mais de 21 anos e não estar habilitado no Sistema Nacional de Adoção. Os interessados também deverão participar de um curso preparatório e passar por cadastro e avaliação.
O processo contará com o apoio da equipe técnica do projeto em Curitiba, que irá auxiliar na implantação da iniciativa em Umuarama. Os candidatos deverão apresentar documentos e passar por entrevistas com psicólogos e assistentes sociais.
Segundo a juíza, as avaliações são necessárias para verificar as motivações dos interessados e garantir que a aproximação ocorra de forma segura.
“Temos que ter todo um cuidado de aproximar essas crianças de pessoas que sejam pessoas dignas, para não expô-las a nenhuma situação de risco”, destacou.
Para a apresentação do Projeto Dindo, foram convidados representantes de igrejas, Lions, Rotary, Associação Comercial e Industrial de Umuarama (Aciu) e outros segmentos sociais. A intenção é ampliar a divulgação da iniciativa e buscar pessoas interessadas em participar.

Quem quiser conhecer o projeto e iniciar o processo de apadrinhamento deve procurar o Serviço Auxiliar da Infância e Juventude da Comarca de Umuarama, no Fórum. A equipe responsável fará as orientações necessárias e encaminhará os interessados para as etapas de cadastro, treinamento e avaliação.
Após a habilitação, a aproximação entre os padrinhos ou madrinhas e as crianças e adolescentes será realizada de forma gradual, sempre com acompanhamento técnico