Dr. Eliseu Auth

30/11/2021

Um deboche do crime

30/11/2021 02H07

Jornal Ilustrado

Eliseu Auth

Nós e o mundo vimos que mais de 300 balsas sem licença ambiental, bloquearam o Rio Madeira para garimpar. Era garimpo criminoso jogando mercúrio nas águas e matando peixes, flora e fauna. Os crimes ambientais estão nesmo livres e soltos neste Brasil de meu Deus. Danem-se as pessoas e dane-se a natureza. Às favas todos. É o crime debochando da lei porque conta a certeza da omissão das autoridades ambientais do país.

Quando o atrevimento chega a esse ponto é porque sabe que tem carta branca para fazer o malfeito. E que as autoridades nada farão para detê-lo. Precisou o “Greenpeace”, uma Ong benfeitora da humanidade, fazer a denúncia que a imprensa divulgou. Só então, passos de tartaruga, as autoridades se mexeram, deixando a impressão de que foi a contragosto.

No meio ambiente, a irresponsabilidade é total. É ela quem gera, gesta e pare a ilegalidade em garimpo, grilagem, extração de madeiras e queimadas. Chega a ser um espetáculo de sadismo explícito. A cobiça parece que se satisfaz com o dano para todos nós e o planeta. A lei não a intimida. É por isso que ela não tem medo de se expor numa tropa de balsas em flagrante coletivo de crime continuado. Não me perguntem se alguém foi identificado ou punido. O país perdeu a preocupação com seus filhos e com um planeta habitável para eles. Ora, chuvas! Ora, aquecimento! Ora a vida! Deveriam olhar para o amanhã e aprender com o cacique “Duwamish” que, ainda em 1855, resistiu à desapropriação de suas terras pelo governo norte americano.

“Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força, poder e coração, conserva-a para teus filhos. Ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.” Concluo: o episódio da tropa de dragas fechando um grande rio da Amazônia, pertinho de Manaus, é mais que um sintoma dos crimes ambientais impunes. É um deboche do crime.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).