PRESTAÇÃO DE CONTAS

Umuarama – Com mudanças na economia como a redução no valor do IPVA e a isenção para quem ganha até R$ 5 mil no Imposto de Renda (IR) prefeitos de todo o Paraná estão preocupados como vão lidar com a redução na arrecadação municipal no próximo ano. Em Umuarama, a preocupação não é diferente e implica em uma previsão estimada entre R$ 26 e R$ 27 milhões a menos nos cofres municipais somente com o IPVA.
O temor foi relatado pelo prefeito Fernando Scanavaca em uma coletiva com a imprensa na manhã desta sexta-feira (19) no paço municipal para uma avaliação do primeiro ano de sua administração. Segundo o gestor, o repasse do IPVA feito pelo Estado para o Município esse ano foi usado para garantir o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores municipais.
Além do impacto direto no custeio, Scanavaca alertou que está em estudos uma série de medidas visando apertar o cinto para garantir a contrapartida necessária pelo município para garantir a execução em 2026 de várias obras que têm recursos já assegurados pelo governo estadual a título de fundo perdido, que é quando o município não precisa devolver o montado ao Estado. De forma geral a contrapartida tem uma variação entre 5% e 10% do valor total da obra. A intenção é evitar buscar empréstimos bancários.
Uma das medidas que começa a valer logo na virada do ano é a redução de circulação de 20% da frota municipal, que hoje conta com mais de 400 veículos. Segundo o prefeito, juntos esses carros rodam 13 mil km por dia. “Vou guardar no pátio e se for necessário guardamos mais e vamos usar o Uber que vai ficar mais barato”, ponderou.
Outra medida que será adotada pelo Município em 2026 visando aumentar a arrecadação será a atualização na Planta Genérica de Valores. A PGV é um instrumento legal e técnico que define o valor por metro quadrado de terrenos e construções. Em outras palavras, ela estabelece a base de cálculo, que é o famoso valor venal, para a cobrança do IPTU, ITBI e outros tributos municipais, visando garantir justiça fiscal e alinhamento com o mercado imobiliário.
Um dos projetos que já está em andamento e deve estar em pleno funcionamento até o início do segundo semestre de 2026 será a informatização de toda a administração. O objetivo são dois: economizar recursos com o fim do uso do papel e também o tempo do cidadão, que poderá resolver tudo pela internet, sem a necessidade de ir até a Prefeitura.
A implantação do sistema do estacionamento rotativo é apontado pelo prefeito Fernando Scanacava com um dos maiores sucessos de seu primeiro ano de gestão. Para 2026 a meta é realizar a mudança no transporte público urbano, que deve passar a ser gerido também pela administração municipal, em moldes similares a Zona Azul.
Segundo Scanacava, a Zona Azul em Umuarama tem um diferencial com relação a outros municípios: a gestão é feita diretamente pelo Município. Em outras localidades o serviço é terceirizado para empresas privadas. Com essa metodologia, o prefeito afirma que o que se arrecada fica no município e é reaplicado na cidade.
Ele citou que a satisfação vem também do comércio, principalmente nas avenidas Paraná e Maringá. “Agora os consumidores têm onde estacionar. Isso garantiu ao menos 10% a mais no faturamento das empresas”, afirmou.
Esse ano Umuarama adquiriu a título de fundo perdido 17 ônibus que devem ser usados no transporte urbano da cidade. Por enquanto o processo está travado no edital, que segundo o administrador, é muito complexo e técnico, mas que tudo deverá estar em funcionamento até meados do segundo semestre de 2026. A proposta é que a gestão do sistema seja feito diretamente pelo município, que quer contratar uma empresa para fazer a operacionalização do sistema, mas sem ter a gestão do negócio.
“Isso vai garantir que a gente consiga levar ônibus até onde precisa. Hoje tem bairros que não tem o serviço porque financeiramente não é viável para a empresa que administra”, afirmou o prefeito.