Umuarama

PET É VIDA

SAAU alerta para o aumento do número de animais abandonados em Umuarama

20/07/2020 08H23

saau_umuarama_alerta

A diretoria da Sociedade de Amparo aos Animais de Umuarama (SAAU) alerta que vai aumentar a fiscalização e as denúncias para o crime de abandono de animais. Segundo a presidente da instituição, Ana Maria Polaquini, o número de pessoas que estão rejeitando seus pets vem aumentando consideravelmente na cidade.

Entre sete a oito pessoas passam pela SAAU toda semana com a intenção de deixar seu cachorro ou gato na instituição, ressaltou Ana Maria. “As pessoas trazem o cachorro aqui alegando que não querem mais. As desculpas são as mais variadas, ou é porquê a mulher ficou grávida, é alérgico, a mãe tá doente, vai mudar de casa entre outras. Mas, a realidade é que não querem mais o animal de estimação e ainda maltratam e xingam a gente se não pegar”, ressaltou a presidente

A presidente ressalta que existe uma legislação que protege os animais de estimação e abandono é crime. “Desde que você pegou adotou ou comprou um animal a lei é a mesma. Ninguém obriga você pegar um animal, mas obriga a cuidar dele. O abandono cabe denúncia e processo, por isso vamos começar a levantar isso mais profundamente. Além disso, a SAAU não é um centro de zoonose ou um canil municipal, é uma instituição que presta serviço aos animais de rua e em parceria com a Prefeitura leva atendimentos para as pessoas carentes. Mesmo assim, o poder público não tem obrigação de cuidar do seu cachorro ou gato”, desabafou.

Hoje a SAAU tem mais de mil animais entre cachorros e gatos recolhidos das ruas de Umuarama ou que foram abandonados próximo a instituição. “Estamos levantando a bandeira da castração para tentar diminuir essa situação de abandono de animais, como também, dos maus-tratos. Hoje, em pareceria com a Prefeitura de Umuarama, temos 50 cirurgias destinadas para comunidade que não pode pagar pela castração”, disse Ana Maria.

CASO DE POLÍCIA

cachorro_saau_umuarama

Os problemas causados pela pandemia do novo coronavírus não afetaram apenas a saúde pública ou economia. Muitos animais também passaram a sofrer com os reflexos do isolamento social e dos problemas financeiros. São situações de abandono e maus tratos, como relatou o delegado titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, Matheus Laiola.

“A pandemia causou um aumento dos casos de maus tratos e abandono por dois motivos. Primeiro pelas pessoas pensarem que os animais poderiam transmitir o vírus. Outra questão que influenciou é de ordem financeira”, explica Laiola.

O crescimento de ocorrências durante a crise do novo coronavírus não é a única coisa que preocupa o delegado. O pós-pandemia é nebuloso. “Nossa preocupação é quando passar a pandemia. As pessoas vão abandonar esses animais novamente? Temos o pensamento positivo de que isso não vai acontecer”.

JULHO DOURADO

filhotes_umuarama_saau

Neste sentido, a Assembleia Legislativa do Paraná faz sua parte na defesa da causa animal. Este mês, no Estado, é dedicado aos animais, por meio do Julho Dourado. O objetivo do período é gerar a reflexão sobre a saúde de animais de rua e domésticos, além da conscientização da prevenção de doenças, as zoonoses e luta contra o abandono. O Julho Dourado foi criado pela Lei 19.472/2018, de autoria do deputado estadual Cobra Repórter (PSD).

Para o titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, a ação das pessoas por meio de denúncias auxilia na proteção dos animais. “Precisamos da população fazendo as denúncias de abandono e maus tratos, com fotos e vídeos. As denúncias sobre crimes ambientais praticados contra animais podem ser feitas pelo telefone 181 ou pelo site www.181.pr.gov.br. O canal é sigiloso e rápido. As pessoas não precisam se deslocar até a delegacia”, lembra.

ABANDONO É CRIME

gatos_saau_umuarama

Laiola alerta, por fim, que o abandono animal é crime. “Se a pessoa não tem condições, não tenha o animal. Para ter animal, você precisa dar alimentação, dedicar tempo, atenção. Se não tiver tempo e condição financeira, não tenha”, recomenda. Abandonar animais de qualquer espécie é uma forma de maus-tratos, prática que configura crime, de acordo com a Lei Federal nº 9.605/98, conhecida como “Lei de Crimes Ambientais”. A pena é de detenção de três meses a um ano, além de multa. A penalidade consta no artigo 32 da legislação e é aumentada, de um sexto a um terço, quando ocorre a morte do animal.