UMUARAMA

A morte do motociclista Adecio Arsênio Longo, de 43 anos, na última quinta-feira (4), voltou a colocar em evidência um dos pontos mais perigosos da PR-323 em Umuarama: o Trevo do Parque de Exposições. O local acumula um histórico de acidentes graves e já foi alvo de manifestações populares que cobram melhorias urgentes para aumentar a segurança dos usuários da rodovia.
Dias antes da colisão que vitimou Adecio, a concessionária EPR Paraná havia instalado monitores de velocidade no trecho como parte das ações emergenciais previstas no Plano de 100 Dias da concessão. No entanto, a medida não foi suficiente para evitar mais uma tragédia.

Questionada pelo Ilustrado sobre intervenções definitivas para o local, a EPR informou que o trecho é considerado prioritário e confirmou que a construção de uma interseção em desnível — um viaduto — está prevista para o quarto ano da concessão.
“Este trecho da PR-323, em Umuarama, é um dos pontos prioritários da concessionária para execução de intervenções voltadas à promoção da segurança viária dentro do Plano de 100 Dias”, informou a empresa.
Segundo a concessionária, atualmente estão sendo executadas melhorias para organização do fluxo de veículos nos acessos e retornos, reforço da sinalização horizontal e vertical e instalação de equipamentos de monitoramento de velocidade.

Apesar das ações imediatas, a obra considerada definitiva para o local ainda depende do cronograma contratual.
“A interseção em desnível (viaduto) no km 295 da PR-323 está prevista para o quarto ano da concessão”, destacou a EPR.

A empresa também informou que as obras de duplicação da PR-323 ocorrerão gradualmente entre o terceiro e o oitavo ano do contrato de concessão.
Acidente reacendeu debate
O novo debate sobre a segurança do trevo surgiu após o acidente que matou Adecio Arsênio Longo.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a motocicleta conduzida por ele colide contra um caminhão Scania que atravessava a rodovia para acessar a Estrada Bonfim.
As gravações mostram que o motociclista ainda tentou frear para evitar o impacto, mas não conseguiu impedir a colisão. Após a batida, o caminhão seguiu viagem e foi localizado cerca de 35 quilômetros depois, nas proximidades de Nova Olímpia.

O motorista, de 55 anos, foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Umuarama. Durante a vistoria, foram encontrados vestígios da colisão no veículo. O teste do bafômetro apresentou resultado negativo para consumo de álcool. O caso segue sendo investigado.
Manifestação pediu mudanças
A preocupação com a segurança no trevo não é recente. Em outubro de 2025, motociclistas e moradores realizaram uma manifestação no local pedindo melhorias urgentes. A mobilização foi organizada pelo clube de motociclistas SBK Umuarama, que instalou cruzes e placas simbólicas para representar as vidas perdidas em acidentes no trecho.

Na ocasião, o presidente do grupo, Altair Cassoli, afirmou que a sinalização era insuficiente e que o local apresentava alto risco de colisões.
Com o lema “Vidas importam – Trevo com segurança já”, os manifestantes chamaram a atenção para a necessidade de intervenções estruturais. Segundo os organizadores, apenas naquele ano haviam sido registrados cinco acidentes, resultando em três mortes e 13 feridos.
Luta pela duplicação já dura anos
A cobrança por melhorias na PR-323 também é encampada há cerca de dez anos pela Comissão Vítimas do Descaso, movimento criado por familiares e integrantes da sociedade civil que defendem a duplicação da rodovia.
A expectativa ganhou força após a concessão do Lote 4 das rodovias paranaenses, vencida pelo Consórcio Infraestrutura PR em outubro de 2025.
O contrato prevê uma série de investimentos ao longo da PR-323, incluindo quase 160 quilômetros de duplicação entre Maringá e Guaíra. No trecho entre Doutor Camargo e Umuarama serão mais de 114 quilômetros duplicados, além da construção de uma nova ponte sobre o Rio Ivaí, vias marginais, ciclovias e diversas obras de segurança viária.
Também estão previstas mais de 100 interseções em desnível, passarelas, retornos e outras estruturas destinadas a melhorar a fluidez e reduzir os índices de acidentes.
Enquanto as obras definitivas não chegam, o Trevo do Parque de Exposições continua sendo um dos principais pontos de preocupação para motoristas, motociclistas e moradores de Umuarama, que aguardam há anos por soluções capazes de interromper a sequência de tragédias registrada no local.