Cotidiano

SOB INVESTIGAÇÃO

Polícia aguarda resultado de exames para identificar ossada carbonizada

04/03/2020 11H13

Umuarama – A Polícia Civil vai aguardar o resultado dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para saber se a ossada humana encontrada carbonizada em uma caminhonete VW Amarok é do motorista Cleberson Bertolin de Oliveira, 33 anos. A informação foi confirmada na tarde desta terça-feira (3) pelo delegado da 19ª Delegacia da Polícia Civil de Cidade Gaúcha, Lucas Américo Magron.

O veículo foi encontrado na tarde de segunda-feira (2), totalmente consumido pelo fogo, em uma estrada rural de Rondon, a 128 km de Mariluz, onde Bertolin reside. As placas encontradas no local indicam que o veículo é a caminhonete da vítima.

Bertolin está desaparecido desde o último dia 24 de janeiro, quando saiu de casa em Mariluz, dizendo para a esposa que iria trabalhar. Segundo a mulher, a última visualização no What’sApp do marido ocorreu por volta das 18 horas, cerca de uma hora após ele sair de casa. A família chegou a oferecer R$ 10 mil como recompensas por informações de seu paradeiro. Ele foi condenado em 2015 a 14 anos de prisão por chefiar uma quadrilha de ‘piratas do asfalto’ que atuava em Umuarama e região.
IDENTIFICAÇÃO

Segundo o delegado, somente após a identificação formal dos restos mortais será possível saber se a investigação continuará sendo realizada por Cidade Gaúcha ou será transferida para o delegado de Cruzeiro do Oeste, Izaias Cordeiro, que investiga o desaparecimento de Bertolin, ocorrido em Mariluz.

No IML de Umuarama serão coletadas amostras de DNA da ossada e também de familiares de Bertolin, para serem enviadas para laboratório em Curitiba. O resultado deve ser divulgado em até seis meses. Até a divulgação do resultado, os restos mortais continuam sob a guarda do IML.

Segundo o delegado, a caminhonete aparenta ter sinais de tiros na lataria do lado do motorista. “Se a perícia do Instituto de Criminalística comprovar isso teremos mais elementos para saber o que aconteceu”, explicou o delegado.

PIRATAS DO ASFALTO

Bertolin foi condenado em 2015 a 14 anos de prisão por chefiar uma quadrilha que ficou conhecida como ‘piratas do asfalto’ e que atuou ao menos por dois anos roubando contrabandistas e compristas vindos do Paraguai na PR-323, em Umuarama; na PR-486, em Alto Piquiri e na BR-272, em Goioerê.

Segundo consta no processo, os criminosos se faziam passar por policiais, usando giroflex e outros sinais luminosos para obrigar as vítimas a pararem. Quando se recusavam os ladrões usavam de grande violência, chegando mesmo a disparar tiros contra os carros. Uma das vítimas ficou ferido na perna após receber dois disparos. Ele teve o carro e a carga de cigarros contrabandeada roubados.

As mercadorias eram vendidas a receptadores e os veículos eram usados para prática de outros assaltos. Quando Bertolin foi preso, em Cianorte, a polícia encontrou no local diversos veículos, a maior parte de luxo e com indicação de furto ou roubo.

DAVY JONES

A quadrilha foi desbaratada após uma investigação de quatro meses conduzida pela Polícia Civil de Umuarama, conhecida como Operação Davy Jones, e que resultou na identificação e prisão de seis pessoas, entre elas Bertolin. Na organização cada membro tinha uma função: batedores, assaltantes, responsável pelo financeiro e guarda de armas e revenda das mercadorias.