AGRONEGÓCIO

O entomologista, pesquisador, professor e doutor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Maringá (UEM), campus Umuarama e integrante do Grupo de Estudo de Entomologia Agrícola (GEEA), Júlio César Guerreiro desenvolve há mais de três anos uma pequisa que busca o controle e manejo da formiga saúva ou cortadeira usando inseticidas a base de óleos e pó essenciais, entre eles o de mamona e melaleuca, que tem menos impacto ao meio ambiente.
Segundo o professor Guerreiro, estudos demonstram que há três formas de controles que são mais funcionais e estão em desenvolvimento por sua equipe e pelo GEEA: uso de iscas, uso de termo nebulização e polvilhadeira, que utilizam o poder inseticida desses óleos essenciais.
Até o momento a pesquisa é promissora, mas o produto final deve levar ainda de quatro a cinco anos para chegar ao mercado. Mas nada impede que produtores busquem junto aos pesquisadores essas alternativas para o combate a saúva, que por ter um poder destrutivo grande de lavouras, causa grandes prejuízos financeiros.

O professor explicou que o objetivo da pesquisa não é eliminar, mas manejar a praga. “Temos que entender que o objetivo não é eliminar a praga, mas realizar o manejo delas, pois elas estão há mais de 350 milhões de anos na terra. Estamos aqui há muito menos tempo”, afirmou Guerreiro.
Guerreiro alertou que atualmente muitos não obtém sucesso no manejo por não entenderem que o formigueiro é o indivíduo a ser combatido e não as formigas e como é o funcionamento dentro do ninho, feito em castas sociais.
Esses erros costumam tornam o combate ineficaz e aumenta o risco de contaminação do solo e do produtor rural, que maneja inseticidas , muitas vezes sem procedência. “Estamos buscando alternativas para evitar que isso continue ocorrendo”, explicou o pesquisador.
Segundo o entomologista, que é um especialista em insetos, sua equipe está desenvolvendo um inseticida a base de óleos essenciais e uma das formas em que ele pode ser usado é no método de polvilhadeira. Os pesquisadores adaptaram um soprador motorizado para facilitar a aplicação e levar o veneno para dentro do ninho efetivamente. “O pó será empurrado para dentro do formigueiro”, explicou.
De acordo com o pesquisador, o alvo principal para a eliminação de um formigueiro adulto é controlar primeiramente as formigas jardineiras, que são as que cultivam o Leucoagaricus gongylophorus , o fungo que alimenta o formigueiro. Quando as jardineiras morrem, o fungo fica sem cultivo e morre, levando a morte por fome de todo o ninho.