Umuarama

INVASÃO DAS FORMIGAS

Entenda porque a cidade está cada vez mais cheia de saúvas voadoras

20/10/2025 17H16

Jornal Ilustrado - Entenda porque a cidade está cada vez mais cheia de saúvas voadoras

Nos últimos dias, se tornou comum encontrar grandes formigas voadoras passeando pela cidade. Dentro de casa, encima dos carros, nas ruas, estão por todo lugar. Mas o que explica esse fenômeno? A que espécie pertencem? Oferece perigo para a saúde do ser humano?

Para descobrir as respostas, o Ilustrado conversou com o biólogo do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) do Paraná, José Cosme de Lima e com o entomologista, pesquisador, professor e doutor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Maringá (UEM), campus Umuarama e integrante do Grupo de Estudo de Entomologia Agrícola (GEEA), Júlio César Guerreiro.

A primeira informação é que esses insetos são formigas saúvas ou cortadeiras. São aquelas que adoram ‘devorar’ plantas e plantações com uma velocidade bem acentuada e são consideradas um problema para produtores rurais.

Mas a notícia boa é que são inofensivos e não há motivo para preocupações para a saúde humana. Picadas em pessoas são muito raras e quanto mais elas aparecem no meio ambiente, também surgem seus predadores naturais, como pássaros, répteis e pequenos mamíferos, mantendo um equilíbrio.

Outra informação importante, principalmente para produtores rurais, é que estão em período de reprodução, quando a eliminação de novos ninhos que estão surgindo é mais fácil e eficiente, garantindo controles mais funcionais, principalmente se realizados da forma correta.

A revoada

Mas o que motiva essas revoadas?

Segundo os dois profissionais estamos em plena época da revoada das saúvas, com a finalidade de acasalamento e formação de novos ninhos. “Quando ninhos chegam a um ano e meio, parte dos machos e fêmeas saem para se acasalar e formar novos ninhos. Eles não retornam mais para esse formigueiro”, explicou José Cosme.

De acordo com Cosme, esse ano, por causa das condições climáticas, as revoadas estão ocorrendo um pouco mais tarde e devem se estender até o início de dezembro. Normalmente essa época vai de agosto a outubro. Para ocorrer, é necessário um clima mais chuvoso, que facilita perfurar a terra para criar o novo ninho.

Jornal Ilustrado - Entenda porque a cidade está cada vez mais cheia de saúvas voadoras
O entomologista, pesquisador, professor da UEM, Júlio César Guerreiro e o biólogo do IDR-PR, José Cosme de Lima (foto arquivo pessoal)

Acasalamento no ar

Segundo o professor e doutor Júlio César Guerreiro, o acasalamento entre o bitu (macho) e a saúva (fêmea) ocorre no ar, durante o voo. Após uma ou duas copuladas, o macho perde a função na natureza e morre. A fêmea vai para o solo, corta as asas e começa a escavar a terra com profundidade de 20 a 30 centímetros para abrir o novo ninho. “Ela trás no seu aparelho bucal um fungo que trouxe do formigueiro original. Esse fungo será cultivado para alimentar o novo formigueiro”, explicou Guerreiro.

Castas

O professor salientou ainda que essa saúva será a rainha deste novo formigueiro e vai cuidar das larvas e ovos. “Não podemos esquecer que as formigas vivem em castas”, disse Guerreiro. Tem a rainha; as operárias (que saem ao solo em busca de alimentos); o soldado protetor (que fica do lado de fora do formigueiro cuidando) e as jardineiras (responsáveis pelo cultivo do fungo que alimenta a todos).

professor Júlio Guerreiro disse ainda que apenas um percentual muito pequeno das saúvas que saem em revoada conseguem efetivamente formar e manter um novo ninho. E o mais importante: que o formigueiro é o indivíduo e não as formigas.

E o melhor momento para eliminar esse problema para o produtor rural é justamente agora, quando os ninhos estão na fase inicial e medem de 20 a 30 centímetros e até mesmo com uma enxada podem ser eliminados.

Se deixar chegar a vida adulta, o produtor realmente terá um problema, considerando que um formigueiro adulto vive entre 10 e 11 anos e pode chegar de dois a três metros de profundidade e ter como área o tamanho de uma casa, segundo o pesquisador.