Umuarama

INFORME UEM AGRÍCOLA

Opções de espécies graníferas para região do Arenito

05/07/2020 07H52

Professor Dr. Tiago Roque Benetoli da Silva

Professor associado nível B – Departamento de Ciências Agronômicas (DCA)

Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias (PAG)

Universidade Estadual de Maringá – Campus Regional de Umuarama

A região Noroeste do Estado do Paraná está sob solos de textura arenosa denominada arenito da formação Caiuá. O município de Umuarama está contido nesse panorama, caracterizado por solos com baixo teor de argila, os quais têm baixa fertilidade natural, observada pelo teor de matéria orgânica pobre, baixa capacidade de retenção de água e com capacidade de troca catiônica inferior, quando comparados com solos argilosos. Por esses motivos, o cultivo nessas regiões é problemático com relação a outras regiões de solos mais férteis. As plantas sofrem mais com a falta d’água, carecem de quantidades maiores de fertilizantes.

Nesse contexto é que as atividades agropecuárias de Umuarama e região se desenvolvem. Culturas como cana-de-açúcar e pastagens são comuns nesse tipo de solo, pois são adaptadas ao desenvolvimento tanto em solos de alta quanto de baixa fertilidade.

No entanto, há propriedades rurais que cultivam soja na safra e milho em segunda safra, popularmente conhecida como safrinha. Logicamente as produtividades atingidas ficam aquém das obtidas em solos mais férteis, além do que, o milho pode sofrer ainda mais em caso de geada e/ou ausência de água. Portanto, é interessante que haja pesquisas visando encontrar opções de outras espécies vegetais para serem cultivadas nesses solos.

CRAMBE

O crambe (Crambe abyssinica Hochst) é uma espécie vegetal oleaginosa, pertencente à família Brassicaceae, teve sua origem na Etiópia, mas foi desbravada no Mediterrâneo. O óleo extraído não pode ser usado para o consumo humano, por possuir alta concentração de ácido erúcico, podendo haver co-produtos como a torta, que pode ser utilizada na alimentação de ruminantes em quantidades limitadas.

Outra perspectiva promissora para o óleo de crambe é no setor elétrico, o qual tem usado óleos vegetais como fluídos isolantes em transformadores, pois além de serem renováveis e biodegradáveis, são operacionalmente mais seguros. Existem estudos sobre confecção de fluído isolante a base de crambe, os quais verificaram que o produto final atendeu os parâmetros estabelecidos na NBR 15422 para óleos vegetais novos, possibilitando seu uso nos transformadores para os testes de campo.

O óleo de crambe também é amplamente usado nas indústrias de fármacos e cosméticos, além de ser excelente matéria prima para confecção de biodiesel. Este biocombustível é obtido por fontes renováveis, como gorduras animais ou espécies vegetais oleaginosas acrescido ao diesel de petróleo, por isso é considerado combustível biodegradável.

Essa espécie se adequou ao clima no Brasil, devido sua rusticidade, precocidade e tolerância ao déficit hídrico. Cultivada na segunda safra, é mais uma opção para a rotação de culturas, pois tem o ciclo curto (cerca de 90 dias). Também se torna economicamente viável por ter cultivo mecanizado, podendo ser manuseado com os equipamentos usados nas culturas de grãos tradicionais como da soja.

Ao comparar o crambe com culturas de segunda safra, observa-se que ela é tolerante ao frio e à seca, bem adaptada com o período do inverno, inclusive dependendo do seu ciclo vegetativo, ela é tolerante a geadas medianas.

Em solos mais fracos, com incidência de plantas invasoras e com condições de alto estresse hídrico, o espaçamento ideal é de 20 a 25 cm entre linhas. A única cultivar existente no Brasil é a FMS-Brilhante pode chegar a produtividade de 1400 kg ha-1, porém em estudos realizados na região de Umuarama em solos arenosos, há relatos de produtividades próximas a 1.600 kg ha-1 e com aplicações de doses elevadas de nitrogênio em cobertura atingiu-se o patamar de 2.000 kg ha-1.

Os estudos realizados em Umuarama visam observar a adaptabilidade e estabilidade de produção nessa região, ainda não foram realizados estudos que visem a logística em termos de comercialização.