Dr. Eliseu Auth

07/09/2021

No Dia da Pátria

06/09/2021 21H06

Jornal Ilustrado

Eliseu Auth

No sete de setembro somos chamados à reflexão. Se, nessa data, lá atrás chegamos à independência política, que fizemos e o que estamos fazendo para honrar a grande efeméride que comemoramos. Acho que ela desperta em todos nós um misto de saudades e melancolia dos tempos em que a nação era menos dividida e mais unida em torno dos mesmos objetivos nacionais.

Meu pensamento voa para os primeiros anos de Escola, lá na pequena Linha Salto, interior de Santo Cristo. Meu primeiro professor Nicolau Meinerz hasteava a bandeira e fazia cantar o hino nacional. Depois, fazia declamar versos patrióticos e falava do papel de cada um de nós, na construção de uma Pátria independente, ordeira, progressista e pacífica. Fazia menos de uma década que o mundo livre derrotara Hitler na segunda guerra mundial. No resto do dia o mestre envolvia pais e alunos numa grande gincana cívica. Bons tempos, ainda que a compreensão e o entendimento fossem limitados.

O tempo passou, a inocência se foi e a realidade nacional chegou ao que é. Os grandes objetivos nacionais e os sonhos que o velho Professor plantou em nós continuam os mesmos. Sobre eles somos chamados a meditar neste dia da Pátria. As saudades que referi no começo, reportam a simplicidade, pureza e inocência com que víamos a Pátria que deveríamos construir. Éramos felizes assim e nos sentíamos importantes e muito patriotas. A melancolia de que falei fica por conta dos sonhos que não conseguimos realizar.

Aqui estamos nós. Apreensivos por ver a Pátria amada, democrática e livre, cuidando de sua gente. Sem ódio nem divisão. De todos, sem excluir quem quer que seja. Branco não é raça superior e não é justo que alguém fique de fora porque é negro, pardo, mulato, cigano, índio ou cafuso. Ou por ter esta ou aquela opção sexual. A bandeira verde, amarela, branca e azul anil que hasteamos trêmula por bandeiras temáticas: A da inclusão social, da Educação para todos, da pesquisa científica e inovação. Do respeito às florestas e meio ambiente porque precisamos deixar o país e o planeta habitável para nossos filhos e as próximas gerações. Era isso que o meu velho professor queria dizer nos sonhos que queria plantar em nossos corações no Dia da Pátria.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).