Política

DIA D

Na reta final, promessas mudam nas campanhas de Haddad e Bolsonaro

27/10/2018 16H06

Paulo Whitaker/Nacho Doce/File Photo

É provável que os eleitores dos dois candidatos à Presidência da República cheguem neste domingo (28), dia de votação, com dúvidas sobre os planos de governo.
Na área econômica, por exemplo, além da falta de clareza de boa parte das medidas, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) recuaram diante de propostas consideradas polêmicas, além de jogarem para escanteio a discussão das principais reformas.
Não é possível dizer que as propostas de reforma tributária, trabalhista e da Previdência foram detalhadas, o que surpreende dado o enorme desafio fiscal à espera do próximo presidente e os cerca de 13 milhões de desempregados que buscam colocação.
Na reforma tributária, os candidatos sinalizam isenção de Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos, mas as semelhanças param aí.
Bolsonaro fala em alíquota unificada de 20% para quem ganha acima disso e Haddad propõe alíquota adicional e mais alta para os mais ricos.
Na Previdência, o capitão sugere modelo de capitalização com criação de contas individuais para os novos participantes, enquanto Haddad diz que pode discutir o sistema de contas individuais que foi proposto por Ciro Gomes (PDT).
Os candidatos também desistiram de algumas promessas. Bolsonaro prometia criar um superministério para toda a área econômica, fundindo a Fazenda, a Indústria e o Planejamento, mas voltou atrás.
Na quarta (24), em transmissão feita pelo Facebook, o candidato disse que vai manter o Ministério da Indústria e Comércio, atendendo a pedidos de representantes do setor.
O intenso programa de privatizações de Paulo Guedes, o guru econômico de Bolsonaro, foi outra promessa que não sobreviveu intacta. Dois dias após o primeiro turno, Bolsonaro deixou claro em entrevista que, além de Petrobras, Caixa Econômica e Banco do Brasil, também a Eletrobras estaria fora do grupo.
No caso de Haddad, o recuo veio em forma de aceno ao centro do espectro político.
A proposta inicial de mandato dual ao Banco Central -com foco na inflação e no emprego, como nos EUA- foi retirada do programa. Em eventual governo do PT, diz o documento mais recente, o Banco Central se concentrará no controle da inflação.
Alguns dias após o primeiro turno, Bolsonaro propôs um 13º salário para o Bolsa Família, na tentativa de afastar as críticas ao programa feitas por seu vice, o general Hamilton Mourão, e ganhar pontos entre eleitores de menor renda.
Em discurso no Maranhão no dia 21, Haddad voltou ao tema, prometendo um aumento de 20% do Bolsa Família, além de um teto de R$ 49 para o preço do botijão de gás -algo que também não constava no programa inicial.
Nenhum dos candidatos especificou de onde sairão os recursos para cobrir os gastos.
Quanto aos nomes para o Ministério da Fazenda, o destaque em meio a uma economia que caminha para o sexto ano consecutivo de déficit público, Paulo Guedes, submerso ao longo do segundo turno, já foi anunciado por Bolsonaro como o seu nome para o posto. A despeito de diversos apelos, o nome cogitado por Haddad não apareceu. (Folhapress)

Jair Bolsonaro, 63 (PSL)
Capitão reformado do Exército, é deputado federal em seu sétimo mandato
Coligação: PSL/PRTB
Vice: General Hamilton Mourão (PRTB)

Fernando Haddad, 55 (PT)
Doutor em ciência política pela USP, foi prefeito de São Paulo e ministro da Educação de Lula e Dilma
Coligação: PT/PC do B/Pros
Vice: Manuela D’Ávila (PC do B)