Cotidiano

Justiça

Multa milionária ao What’sApp foi aplicada na investigação de ‘Garimpo’

31/08/2018 09H17

Umuarama – A multa milionária aplicada pela Justiça Federal de Umuarama contra o aplicativo What’sApp foi no curso da investigação que Operação Malote, que resultou na prisão do megatraficante umuaramense Adriano Augustin Calonga Lechuga, 38 anos, conhecido como “Garimpo”, em abril de 2017.

A multa, aplicada ainda em 2015, foi em razão do descumprimento de ordem judicial que determinava a empresa Facebook, proprietária do What’s App, a quebra do sigilo das conversas entre integrantes da organização criminosa de tráfico de drogas. Até hoje a ordem não foi cumprida. A multa diária, que começou em R$ 200 mil ao dia, chegou a R$ 6 milhões ao dia e hoje soma R$ 2,35 bilhões.

O processo está em recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre (RS), onde se discute até que ponto se aplica o direito a privacidade como justificativa para evitar que o Estado possa atuar. A justificativa dos defensores é que não há direito absoluto, nem mesmo o direito a vida.

Segundo o apurado pelo Ilustrado a investigação foi desmembrada em 17 processos que estão em trâmite na Justiça Federal.

OPERAÇÃO MALOTE

Já a Operação Malote levou a desarticulação de uma quadrilha internacional de tráfico de drogas sediada em Umuarama e em Atibaia, no interior paulista, no dia 28 de abril de 2017. No total foram cumpridos 80 mandados em cinco estados. Em Umuarama foram presas três pessoas com mandado de prisão preventiva. Uma delas foi flagrada com uma arma de fogo.

Na época, em Umuarama foi presa a esposa do megatraficante Adriano Lechuga, que conseguiu fugir no dia, mas acabou preso meses depois pela Polícia Paraguaia. Atualmente está preso em território brasileiro.

VIDA NABABESCA

Segundo o delegado-chefe da PF de Cascavel, Marco Smith, relatou na época, Adriano afirmava ser garimpeiro para justificar as vultuosas somas de dinheiro que movimentava em Umuarama e os carros luxuosos com que transitava. “Para isso ele contava com o apoio de sua família na lavagem do dinheiro”, afirmou Smith. Nas redes sociais dos envolvidos era possível visualizar fotos de uma vida de ostentação.

APREENSÕES

A investigação começou em 2015 e neste período foram apreendidas 34,5 toneladas de maconha e 162kg de cocaína. Ao longo da investigação, em novembro de 2015, a PRF e a PF também conseguiu fazer, no balneário de Porto Camargo, em Icaraíma, a maior apreensão de maconha já registrada no Brasil. À época 24,5 toneladas foram encontradas às margens do Lago de Itaipu. Os agentes prenderam 21 pessoas.

CONSÓRCIO

Para diminuir o risco, a quadrilha montou uma espécie de consórcio para o transporte da droga. Diversos traficantes usavam o mesmo transporte para entrar com o entorpecente no Brasil. A droga vinha do Paraguai e a rota de entrada era o Mato Grosso do Sul e Paraná, através da Ponte de Porto Camargo. A partir dai, o entorpecente era distribuído para São Paulo, Rio de Janeiro e estados do Nordeste do Brasil. “Por isso o nome malote. Em referência a forma como a quadrilha atuava”, explicou Smith.

BALANÇO DA OPERAÇÃO MALOTE:

SÃO PAULO:

4 presos (1 deles em flagrante com três armas de fogo)

Uma coleção de relógios de luxo (143 unidades)

11 veículos seminovos de alto padrão

Mansão avaliada em 3 milhões dentre outros imóveis.

MATO GROSSO DO SUL

8 presos (entre eles um policia e um vereador)

5 veículos seminovos de alto padrão

Imóveis (fazenda e casas de luxo)

Aproximadamente 1000 cabeças de gado

PARANÁ

3 presos (um deles em flagrante com arma de fogo)

Coleção de relógios de luxo (aproximadamente 50 unidades)

1 embarcação de luxo, aproximadamente 30 pés.

2 jets skis

11 veículos seminovos de alto padrão

RIO DE JANEIRO

1 preso (comprador de drogas)