Nacional

Crise

Moro pede demissão do Ministro da Justiça e Segurança Pública

24/04/2020 11H42

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, durante abertura do Seminário Políticas Judiciárias e Segurança Pública, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Sergio Moro pediu demissão do Ministro da Justiça e Segurança Pública. O ex-juiz federal confirmou na manhã desta sexta-feira (24) que deixa o cargo no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). A saída acontece depois do presidente exonerar Mauricio Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal sem avisar Moro.

Mouro disse que não tinha problema em trocar o diretor-geral da Polícia Federal, mas para isso precisa de uma causa. A causa não foi apresentada e sim uma interferência política na instituição. “Não é questão de nome, tem outros bons nomes e delegados competentes”, ressaltou.

Moro acusou Bolsonaro, nesta sexta-feira, de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência da instituição.

“Imagina se, durante a própria Lava Jato, o ministro, diretor-geral, a então presidente Dilma (Rousseff), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ficassem ligando para a Superintendência de Curitiba para colher informações?”, comparou

“É certo que o governo da época (do PT) tinha inúmeros defeitos, aqueles crimes gigantescos de corrupção que aconteceram naquela época. Mas foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que fosse possível realizar esse trabalho”, disse Moro no pronunciamento.

“Seja de bom grado ou seja pela pressão da sociedade, essa autonomia foi mantida e isso permitiu que os resultados fossem alcançados. Isso é até um ilustrativo da importância de garantir Estado de direito, rule of law, autonomia das instituições de controle e de investigação”, destacou.

STF

No pronunciamento, Moro também negou que tenha aceitado largar a carreira na magistratura, em 2018, para assumir o Ministério da Justiça em troca de uma posterior indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Na ocasião, foi dado equivocadamente que teria sido colocada como condição para eu assumir uma nomeação ao Supremo Tribunal Federal. Nunca houve isso, até porque não seria o caso de eu assumir um cargo de ministro da Justiça pensando em outro”, afirmou.

Moro diz que colocou uma condição a Bolsonaro para que assumisse o cargo. “Se algo me acontecesse, uma pensão para a minha família.” Ao concluir a sua fala, Moro afirmou que “estará à disposição do País para ajudar no que quer que seja”.

CRISE

A saída de Moro gera uma grande crise política e acontece poucos dias depois da demissão de Luiz Henrique Mandetta, agora ex-ministro da Saúde, depois de diversos atritos com o presidente em relação a medidas de combate ao novo coronavírus.