INSATISFAÇÃO

Cerca de 100 moradores da área rural localizada entre os municípios de Umuarama e Xambrê realizaram, na manhã desta quinta-feira (15), uma manifestação pacífica em frente ao posto de atendimento da Copel, na avenida Londrina, em Umuarama. O protesto reuniu produtores rurais, famílias que vivem em chácaras e propriedades agrícolas e teve como principal reivindicação a solução definitiva para os constantes problemas no fornecimento de energia elétrica, que, segundo os moradores, se arrastam há anos.
De acordo com os manifestantes, as quedas de energia são frequentes — em alguns casos, semanais ou até diárias — e o restabelecimento do serviço pode levar várias horas ou até mais de um dia. A situação tem causado prejuízos significativos, como perda de alimentos, danos a eletrodomésticos, queima de motores, bombas de poços artesianos, além da morte de animais e perdas na produção agrícola.
A Polícia Militar foi acionada para acompanhar a mobilização. Segundo o tenente Alves, da PM, a manifestação ocorreu de forma totalmente pacífica. “A Polícia Militar foi solicitada pelos representantes da empresa. Viemos até o local e não houve nenhum tipo de vandalismo ou depredação. A população apenas veio buscar um atendimento específico”, afirmou. Ele explicou ainda que, devido ao número limitado de guichês de atendimento, houve concentração de pessoas em frente à unidade, mas a situação foi controlada.
Ainda conforme o tenente, a Copel organizou uma equipe com cerca de 10 pessoas para receber representantes dos manifestantes. “Foi solicitado que alguns representantes conversassem com a gerência, enquanto os demais moradores foram orientados a registrar protocolos individuais de falta de energia. O que se percebeu foi uma manifestação pacífica, de pessoas de bem, que se organizaram para reivindicar seus direitos”, destacou.
No meio do grupo de dez representantes dos manifestantes responsáveis por apresentar as principais queixas, estava o padre Luiz Cezar Bento, que atua como liderança comunitária na região. Segundo ele, a empresa ouviu as reclamações e assumiu compromissos imediatos e de médio prazo.
“As quedas de energia são consecutivas, praticamente toda semana, quase todos os dias. Aqui temos grandes produtores, pequenos agricultores, gente da leiteria, da ordenha, produção de chocadeiras, pintinhos, irrigação… as perdas são muito grandes”, relatou. De acordo com o padre, a Copel se comprometeu a realizar, de imediato, vistorias na rede elétrica, incluindo poda de árvores e identificação de pontos críticos. “Eles também falaram em detectar os problemas e elaborar um projeto para mudança de fase, passando da rede monofásica para trifásica”, explicou.
Uma nova reunião entre moradores e Copel foi agendada para o dia 26. “Eles prometeram dar atenção à nossa região nos próximos dez dias. Caso isso não aconteça, outras manifestações poderão ocorrer. O que buscamos é nosso direito de ter energia de qualidade”, afirmou o padre Luiz.

Outro representante do grupo, o produtor rural Jorge Batistela, criticou a falta de manutenção preventiva ao longo dos anos. “Esse trabalho que eles disseram que vão fazer agora poderia ter sido feito antes. Faz uns 20 anos que lutamos com essa energia. Não temos trifásica, muitas máquinas não suportam, queimam motores, bombas de poço, e a gente não é ressarcido”, disse. Segundo ele, a burocracia para pedir indenização inviabiliza qualquer tentativa de ressarcimento. “Se queimar o poço hoje, precisamos resolver hoje. Os animais precisam de água. Não dá para esperar toda a burocracia”, desabafou.

Entre os moradores mais antigos está Alcides Gonçalves, de 74 anos, que vive na propriedade há 47 anos. Ele relatou que, recentemente, as quedas passaram a ser mais prolongadas. “Quarta-feira mesmo acabou a energia às 13h e só voltou às 23h. Antes caía e voltava em quatro, cinco horas. Agora fica quase um dia inteiro”, contou. Ele lembrou dos prejuízos na época em que trabalhava com leite. “Tinha ordenhadeira e resfriador. Já precisei ligar para o leiteiro buscar o leite antes de estragar. Teve vez que tivemos que tirar leite na mão”, relatou.

Situação semelhante é vivida por Durvalino Passador, de 56 anos, produtor de tomate e morango em estufas. Ele explicou que a falta de energia compromete diretamente a irrigação. “A estufa depende totalmente da irrigação. Às vezes passa dias sem energia e as plantas sofrem. Um dia de calor sem água já causa perda”, disse.
Valdomiro Gonçalves, de 70 anos, também relatou quedas frequentes. “Três vezes por semana cai a energia. No calor, ninguém dorme. Estraga comida, carne descongela, resfriador para”, contou. Ele destacou que, em casos de oscilação, os moradores precisam desligar equipamentos rapidamente para evitar queima. “Já perdemos leite porque não manteve a refrigeração adequada”, completou.

Moradores mais recentes na região também enfrentam os mesmos problemas. Odair Aparecido Oliveira, de 47 anos, disse que desde que se mudou para a propriedade a falta de energia é constante. “Uma ou duas vezes por semana cai. Tem vez que fica o dia inteiro ou quase dois dias sem energia”, relatou. Ele trabalha na construção civil em Umuarama e, ao chegar à noite, muitas vezes encontra a casa sem luz. “Já tive que voltar para a casa da minha mãe para dormir, porque no calor não tem como ficar lá sem ventilador, sem nada”, disse.
Os manifestantes afirmam que o crescimento de loteamentos e chácaras na região aumentou a demanda por energia, sem que a rede tenha sido modernizada. Eles cobram investimentos estruturais e soluções definitivas, como a ampliação da rede trifásica, para garantir estabilidade no fornecimento.
A reportagem do Umuarama Ilustrado tentou contato com a direção da Copel para comentar as reclamações e os compromissos assumidos durante a reunião, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.