Golpe contra idosos em Umuarama pode ter causado prejuízo de R$ 100 mil
08/10/2026 19H31
A investigação da Operação Insidiae, deflagrada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) nesta quinta-feira (8), revelou novos detalhes sobre um esquema que teria utilizado uma loja de telefonia em Umuarama como base para aplicar golpes contra idosos. Segundo o delegado responsável pelo caso, Thiago Araium Pinheiro, os prejuízos já identificados chegam a aproximadamente R$ 100 mil.
De acordo com o delegado, três integrantes do grupo trabalhavam na loja apontada pela investigação, enquanto uma quarta envolvida atuava no município da Lapa. Os suspeitos teriam aproveitado o movimento do estabelecimento para selecionar possíveis vítimas entre os idosos que procuravam o local para serviços como atendimento de telefonia ou pagamento de boletos.
A escolha, segundo a investigação, recaía principalmente sobre pessoas que aparentavam ser mais vulneráveis. Grande parte das vítimas identificadas até o momento possuía conta bancária no Itaú.
O golpe, conforme explicou o delegado, ocorria a partir do próprio celular da vítima. Os suspeitos teriam solicitado o aparelho e realizado o reconhecimento facial no estabelecimento. Com a validação, conseguiam acessar as contas bancárias e realizar transferências para pessoas utilizadas como “laranjas”. Posteriormente, o dinheiro era dividido entre os integrantes da associação criminosa.
“Eles pegavam o celular da vítima, faziam o reconhecimento facial ali mesmo, e com isso, conseguiam acesso às contas dos idosos”, explicou o delegado.
Prejuízo de R$ 100 mil
Até o momento, seis vítimas procuraram a Polícia Civil e registraram boletim de ocorrência. Três delas tiveram prejuízos financeiros diretamente identificados, enquanto outras três teriam tido seus dados bancários utilizados pelo grupo para movimentações como “laranjas”.
Entre os casos já identificados está o de uma vítima que teve R$ 70 mil retirados da conta e transferidos para outra pessoa. Outras duas vítimas tiveram prejuízos de aproximadamente R$ 15 mil cada.
Somados, os valores chegam a cerca de R$ 100 mil.
A investigação teve início justamente depois que essa vítima percebeu a movimentação de R$ 70 mil em sua conta. Ela procurou a Polícia Civil e relatou que havia realizado um procedimento de reconhecimento facial com seu celular dentro da loja. A partir desse registro, os investigadores passaram a apurar a possível utilização indevida dos dados.
Vítimas podem ainda não saber do golpe
O delegado Thiago Araium Pinheiro acredita, porém, que o número de vítimas pode ser maior do que o identificado até agora.
Segundo ele, algumas pessoas podem ainda não ter percebido que seus dados ou contas foram utilizados pelos criminosos. Em determinadas situações, idosos que não tinham dinheiro disponível nas contas também teriam sido alvos do grupo.
Nesses casos, conforme a investigação, os dados das vítimas seriam utilizados para a abertura de novas contas bancárias no banco Crediwalk, que posteriormente poderiam ser utilizadas pela associação criminosa.
Por isso, a Polícia Civil faz um alerta especialmente aos idosos que frequentaram a loja investigada desde agosto. A orientação é verificar o extrato bancário, conferir transferências e empréstimos e procurar a polícia caso seja identificada qualquer movimentação desconhecida.
Polícia investiga possível participação de mais pessoas
A apuração também busca descobrir se outras pessoas participaram do esquema. Conforme o delegado, os integrantes utilizavam terceiros para realizar o saque do dinheiro transferido e, posteriormente, faziam a distribuição dos valores entre os envolvidos.
A Polícia Civil trabalha agora para identificar todos os participantes, dimensionar o número de vítimas e calcular o valor total movimentado pelo grupo.
A Operação Insidiae cumpriu quatro prisões, sendo duas preventivas e duas em flagrante, além de mandados de busca e apreensão em Umuarama e Lapa. Dispositivos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante as diligências serão analisados e poderão contribuir para o avanço da investigação.
A Polícia Civil reforça que novas vítimas podem procurar a Delegacia de Umuarama para registrar a ocorrência e fornecer informações que auxiliem na identificação de outros envolvidos.