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Ex-policial acusado de matar companheira com 55 facadas será julgado em Umuarama 

09/03/2026 12H36

Jornal Ilustrado - Ex-policial acusado de matar companheira com 55 facadas será julgado em Umuarama 

Começa nesta quarta-feira (11), no Tribunal do Júri de Umuarama, o julgamento do ex-policial penal Carlos Adriano Botelho, acusado de matar a companheira Vanessa Santos da Cunha, de 28 anos. O júri popular está previsto para ocorrer ao longo de três dias, seguindo até sexta-feira (13). 

Segundo a denúncia do Ministério Público, a jovem foi morta com 55 golpes de faca, conforme apontou o laudo de necrópsia. O crime ocorreu no dia 28 de outubro de 2022, na residência do acusado, localizada na avenida Olinda, no Jardim Global, em Umuarama. 

Carlos Adriano foi preso em flagrante no dia do crime e teve a prisão convertida em preventiva três dias depois. De acordo com o Departamento de Polícia Penal (Depen), ele foi excluído dos quadros da corporação após procedimentos administrativos e atualmente está recolhido no Complexo Médico Penal, em Piraquara. 

Dinâmica relatada pelo acusado 

Na época do crime, o então delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial (SDP), Gabriel Menezes, informou que o acusado relatou à Polícia Militar que havia mantido um relacionamento com a vítima, mas que o casal já estava separado. 

Segundo a versão apresentada por ele, na noite de quinta-feira (27) Vanessa o procurou pedindo para pernoitar na residência, pois teria perdido o ônibus para retornar à cidade de Altônia, onde morava. Ela estava em Umuarama para realizar tratamento médico. 

Ainda conforme o relato do homem, por volta das 4h30 da madrugada, ele teria acordado após ouvir um barulho do lado de fora da casa e o cachorro latindo. A vítima também teria se levantado para verificar o que ocorria. Em determinado momento, ambos iniciaram uma discussão. Segundo o acusado, a mulher teria tentado atacá-la com uma garrafa de Vodka e uma faca, e ele então reagiu, atingindo-a com a faca. 

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Cena do crime 

De acordo com a Polícia Civil, Vanessa foi encontrada morta no chão de um dos quartos da residência, com grande quantidade de sangue espalhada pelo cômodo. O óbito foi confirmado no local por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 

O laudo mencionado na denúncia do Ministério Público apontou que a vítima sofreu mais de 50 perfurações, atingindo tórax, costas, rosto e abdômen. 

Registros anteriores 

Durante as investigações, também foram citadas ocorrências anteriores envolvendo a vítima. 

Segundo o delegado à época, havia um boletim de ocorrência registrado em julho de 2022, quando moradores da avenida Olinda acionaram a Polícia Militar após Vanessa apresentar um surto psicótico. Conforme o registro, ela teria agredido policiais que tentaram contê-la. 

Ainda naquele mês, dois dias depois, a PM voltou a ser chamada ao mesmo endereço por causa de uma discussão entre o casal motivada por um aparelho celular. 

Há também um registro anterior, de fevereiro de 2021, na Delegacia de Polícia Civil de Umuarama, no qual consta que Vanessa teria esfaqueado um ex-namorado durante uma discussão. A Polícia Civil não informou se houve prisão nesse caso. 

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Denúncia do Ministério Público 

O ex-policial penal foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado, com as seguintes qualificadoras: motivo fútil, meio cruel, recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio. 

Caso seja condenado por todas as qualificadoras, a pena pode ser significativamente aumentada. 

Defesa fala em “excesso acusatório” 

O advogado de defesa do réu, Adriano Bretas, afirmou que a expectativa é de que o julgamento ocorra respeitando os princípios do devido processo legal. 

Segundo ele, serão ouvidas dez testemunhas, sendo cinco indicadas pelo Ministério Público e cinco pela defesa. Após os depoimentos, haverá o interrogatório do acusado, seguido dos debates entre acusação e defesa, com uma hora e meia para cada parte, além da possibilidade de réplica e tréplica. 

“A realidade daquilo que de fato aconteceu vai ser elucidada no julgamento perante o Tribunal do Júri. A acusação lança mão de um excesso acusatório, com a imputação de homicídio com três qualificadoras, e ao final do julgamento ficará claro que os fatos não se deram dessa forma”, afirmou. 

O advogado também declarou que a defesa não irá ao plenário com uma tese pré-definida, ressaltando que a linha defensiva dependerá do que for produzido durante a instrução no julgamento. 

“Existe toda uma produção de prova pela frente. Depois da oitiva das testemunhas e do interrogatório é que será possível definir com precisão as teses que serão sustentadas no plenário”, explicou. 

Decisão caberá aos jurados 

Ao final do julgamento, os sete jurados, escolhidos entre cidadãos da comunidade, irão deliberar em sala secreta sobre a condenação ou absolvição do acusado. 

O caso ganhou grande repercussão na época do crime e volta a mobilizar a atenção da população de Umuarama com a realização do júri popular.