Umuarama

TRAGÉDIA PESSOAL

Em luto, casal ainda busca entender o que levou filha a nascer morta

01/02/2026 11H36

Jornal Ilustrado - Em luto, casal ainda busca entender o que levou filha a nascer morta
Amanda disse que no meio a dor, busca auxílio em Deus para seguir em frente

O que era para ser um momento de felicidade extrema se transformou em um pesadelo. A passagem de ano para o casal Amanda e Alexsander Borges foi marcado não pela alegria, mas pela dor da filha, Cecília, nascer sem vida. “Nós ainda não sabemos o que aconteceu. Buscamos essa resposta”, afirmou Amanda.

Aos 33 anos, Amanda teve uma gestação de risco por causa de seu peso, por ter pressão alta e por ser diabética, mas segundo ela, todo o pré-natal foi feito rigorosamente pelo programa Mãe Paranaense junto a Unidade Básica de Saúde (UBS) de seu bairro, no Jardim Cruzeiro, em Umuarama.

“Estava tudo controlado. Eu cheguei a perder nove quilos durante a gestação. A Ceci estava em um peso bom. O parto já estava previsto para os dias 31 de dezembro ou primeiro de janeiro. Estava tudo certo”, contou. Amanda estava de 35 semanas de gestação.

Internamento

Ela contou que na madrugada do dia 29 de dezembro começou a sentir contrações e foi para a maternidade. Foi internada em observação e começou o monitoramento do bebê através do cardiotocografia, que é um método biofísico não invasivo de avaliação do bem estar fetal. Consiste no registro gráfico da frequência cardíaca fetal e das contrações uterinas.

“Fiz vários cardiotocos no dia 29 e no dia 30. Os batimentos da Ceci estavam entre 146 a 157. Ela estava bem. Os médicos aplicaram duas doses de injeção para amadurecer o pulmão dela (corticoterapia antenatal) e me disseram que ainda não iriam fazer o parto porque ela precisaria de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), mas não havia vaga disponível”, disse.

A tragédia

Os problemas começaram no dia 31. “Foi a noite que nós conseguimos dormir, mas foi uma correria no hospital. Tinha só duas enfermeiras e várias gestantes entrando, bebês nascendo. Foi bem corrido e dormimos depois de dois dias sem conseguir fazer isso. Acredito que pela situação acabaram esquecendo de fazer o cardiotoco da noite e o da madrugada, vieram perto das 5 horas. Quando fizeram, a médica já informou que a Cecília não estava mais com os batimentos cardíacos. Ela então fez o exame do toque. Naquele momento tudo mudou”, relatou Alexsander.

“Tudo desabou. Nós estávamos preparados para levarmos nossa filha para casa e não foi isso o que aconteceu. Chegamos cheios de esperança e expectativa. A dor que estamos passando não desejo para ninguém. Até agora não consegui mexer nas coisinhas dela, nas roupinhas. Abrir gavetas. Sei que vou precisar, mas não consigo”, contou emocionada Amanda. Ela foi submetida a uma cesariana cerca de quatro horas após a notícia.

“A Cecília era perfeita. Os dedos e o pezinho eram compridos como o do Alex. Ela era bem cabeluda. Linda. Não era um bebê gordinho, mas era comprida”, relatou Amanda. A criança nasceu pesando 3,4 kg. Após o parto, Amanda e a família puderam passar um tempo com a bebê antes do sepultamento, que foi pago pela maternidade.

Dúvidas

“Eu perguntei na Acesf se era comum em casos como o nosso a maternidade pagar os custos do sepultamento. Me responderam que era a primeira vez que isso ocorria. Foram pequenas coisas que foram despertando dúvidas: será que a história poderia ter terminado diferente?”, disse Alexsander.

Neste domingo (31), completa um mês que Cecília partiu e em meio a dor do luto, os pais tentam entender o que aconteceu. “A certidão de óbito consta apenas como nati-morto. Não tem a causa. Tentaram jogar a culpa no fato do peso e diabetes da minha esposa. Mas isso estava tudo controlado. Só nos diziam que não havia UTI. Que tinha que esperar. A sensação que temos é que jogaram com a vida da nossa filha. Depois que ela morreu, apareceu vaga para outras crianças. Ai conseguiram. No cartório, quando foi registrar o óbito, o atendente viu e me disse ‘mais um?’. Isso só aumentou nossa dor”, disse emocionado Alex.

Ministério Público

O casal procurou o Ministério Público para pedir ajuda no sentido de esclarecer o que aconteceu. “Nosso objetivo é saber se houve erro. E que quem cometeu esse erro seja responsabilizado para que outros pais não passem o que estamos vivendo. Tem gente que diz que deveríamos procurar um advogado e buscar indenização. Dinheiro nenhum vai substituir a minha filha”, afirmou Alex.

Amanda contou que está buscando ajuda em Deus para conseguir viver esse momento de dor e que o casal começou com sessões de psicologia. “Sei que a Ceci é luz. Ela veio para nos dar alegrias e união familiar. Estou aprendendo a aceitar ajuda, pois sempre fui a quem ajuda. Está sendo um aprendizado. Esperamos, que se for vontade de Deus, possamos nos preparar e quem sabe no futuro termos outro bebê. Não vai substituir, mas queremos filhos”, disse Amanda.