Política

2º TURNO

Eliana Calmon apoia Bolsonaro e diz que fará ponte com Judiciário

11/10/2018 21H38

A ministra aposentada do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Eliana Calmon vai apoiar e engajar-se na campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República neste segundo turno.
Conhecida por sua atuação no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), onde ganhou notoriedade após afirmar que existem “bandidos de toga”, Calmon é filiada à Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, e em 2014 chegou a disputar o Senado pela Bahia, sendo derrotada nas urnas.
O apoio a Bolsonaro foi firmado após uma longa conversa, por telefone com o capitão da reserva nesta quarta-feira (10). Na conversa, Calmon acertou com o candidato do PSL que não ocuparia cargos em um eventual governo, mas atuará como uma espécie de conselheira e ponte com o Poder Judiciário.
Nestes próximos dias, Eliana Calmon deve gravar um vídeo de apoio a Jair Bolsonaro que deve ser divulgado nas redes sociais e no horário eleitoral do candidato do PSL.
À reportagem a ministra aposentada disse que tomou a decisão depois de ter lido o programa de governo do candidato Fernando Haddad (PT).
Citou pontos como a proposta de convocação de uma Assembleia Constituinte -da qual o petista recentemente voltou atrás- e a proposta de redefinir a composição do CNJ com a inclusão de membros de fora das corporações do Sistema de Justiça no órgão.
“Fiquei muito assustada com o que eu li [no programa de governo], fiquei perplexa. Não sei como será um futuro governo Bolsonaro, mas o do PT eu já vi e não gostei”, afirmou.
Ela também critica o fato de a candidatura de Haddad estar atrelada ao nome do ex-presidente Lula, que cumpre pena em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro. “Me preocupa pensar que uma pessoa possa comandar o governo de dentro da cadeia”.
Calmon afirmou que, em sua conversa com Bolsonaro, o capitão da reserva comprometeu-se a empunhar duas de suas principais bandeiras –o combate à corrupção, o fortalecimento dos órgãos de investigação e a defesa das mulheres.
A ex-ministra afirma ser feminista e defende pautas como a igualdade salarial entre homens e mulheres –tema que causou polêmica no primeiro turno após declarações de Bolsonaro de que não é papel do estado atuar nesta questão.
Ela diz ter conversado com Bolsonaro sobre o assunto e o capitão da reserva teria afirmado que defenderá a pauta da igualdade salarial. “Estamos afinados neste assunto”.
Por outro lado, Calmon criticou atitudes de alguns apoiadores de Bolsonaro, incluindo seus filhos, que fazem críticas ao feminismo e endossaram posições misóginas, como uma paródia que comparava mulheres de esquerda a cadelas.
“Considero primário e chulo o posicionamento de alguns seguidores de Bolsonaro. Mas também acho que isso foi potencializado pela militância do PT”, afirma Calmon, que afirma não considerar Bolsonaro um político extremista e sim incisivo em suas opiniões.
A decisão de Eliana Calmon de apoio ao candidato do PSL vai de encontro ao posicionamento definido por seu partido, a Rede Sustentabilidade, que nesta quinta-feira (11) divulgou uma nota na qual recomendou que seus filiados e simpatizantes não destinassem nenhum voto a Jair Bolsonaro.
A Rede informou que a ministra aposentada encaminhou nesta quinta-feira (11) seu pedido de desfiliação. (Folhapress)