Cotidiano

JULGAMENTO

“Ele foi cruel e tem que pagar”, diz irmã de mulher morta com 55 facadas em Umuarama

11/03/2026 13H15

Jornal Ilustrado - “Ele foi cruel e tem que pagar”, diz irmã de mulher morta com 55 facadas em Umuarama

Teve início na manhã desta quarta-feira (11), no Tribunal do Júri de Umuarama, o julgamento do ex-policial penal Carlos Adriano Botelho, acusado de matar a companheira Vanessa Santos da Cunha, de 28 anos. O júri popular está previsto para ocorrer ao longo de três dias, com encerramento na sexta-feira (13).

Antes do início da sessão, a irmã da vítima, Patrícia Gabriela, falou com a imprensa e destacou a dor da família diante do crime.

Segundo ela, a expectativa é que a Justiça seja feita. “A gente está sofrendo muito e espera que a lei seja feita. Da forma que ele feriu ela foi muito cruel. A cena que eu vi quando reconheci o corpo é algo que eu nunca tinha visto e é muito difícil para mim até hoje”, disse.

Patrícia afirmou que mantinha uma relação muito próxima com Vanessa e que a irmã relatava episódios de agressões no relacionamento. “Ela contava que ele era agressivo e que já tinha batido nela. Mesmo assim, por medo e porque amava ele, acabava aceitando o que estava acontecendo”, relatou.

A irmã também afirmou acreditar que o crime foi premeditado e que houve uma tentativa anterior de homicídio. “Uns dois meses antes ele tentou matar ela, mas ela conseguiu fugir e ficou internada. Quando ela voltou para resolver algumas coisas, ele teve a oportunidade e fez o que fez, sem dó e sem pena”, declarou.

Emocionada, Patrícia disse que a família espera a condenação máxima do acusado. “Ele foi cruel e tem que pagar. Nada vai trazer minha irmã de volta. A dor que a gente carrega é para sempre”, afirmou.

Crime

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Vanessa foi morta com 55 golpes de faca, conforme apontou o laudo de necrópsia. O crime ocorreu no dia 28 de outubro de 2022, na residência do acusado, localizada na avenida Olinda, no Jardim Global, em Umuarama.

Carlos Adriano foi preso em flagrante no dia do crime e teve a prisão convertida em preventiva três dias depois. Conforme o Departamento de Polícia Penal (Depen), ele foi excluído dos quadros da corporação após procedimentos administrativos e atualmente está preso no Complexo Médico Penal, em Piraquara.

Jurados

O conselho de sentença é formado por sete jurados, sendo três homens e quatro mulheres. Eles foram escolhidos entre 20 cidadãos previamente sorteados pela Justiça, após seleção realizada pela acusação e pela defesa.

Denúncia

O ex-policial penal foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado, com as seguintes qualificadora: O ex-policial penal foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado, com as seguintes qualificadoras: motivo fútil, meio cruel, recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio. 

Caso seja condenado por todas as qualificadoras, a pena pode ser significativamente ampliada.

Defesa

O advogado Adriano Bretas, responsável pela defesa do réu, afirmou que o julgamento ainda está no início e que todas as hipóteses serão analisadas durante o processo.

Segundo ele, o acusado deve falar pela primeira vez sobre o caso durante o julgamento. “Ele vai trazer à tona a realidade dos fatos. Nas fases anteriores ele exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio, mas agora vai revelar o que de fato aconteceu”, declarou.

O advogado também afirmou que a defesa pretende apresentar o contexto do relacionamento do casal. “Era um relacionamento conturbado, com boletins de ocorrência de fatos anteriores. Vamos esclarecer todo o pano de fundo em que os fatos aconteceram”, disse.

O julgamento segue com o depoimento de testemunhas, interrogatório do acusado e debates entre acusação e defesa antes da decisão final dos jurados.

Entrevista completa com a irmã da vítima:

Entrevista completa com advogado do réu: