CORRIDA CONTRA O TEMPO

Tem pessoas que passam pela vida para reclamar. Outras lutam com todas as forças para viver com dignidade e qualidade de vida todos os dias. Nesta segunda categoria, está a Maria Vitória. Ela foi diagnosticada com paralisia cerebral grave com microcefalia logo após o nascimento e passar 52 dias internada da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Agora, aos dois anos de idade veio o diagnóstico de hidrocefalia, que é raro nesta fase. Normalmente se nasce com essa condição.
Para continuar a viver e ter qualidade de vida, Maria Vitória precisa fazer com urgência uma intervenção cirúrgica na cabeça para a colocação de uma válvula de DPV (Derivação Peritoneal Ventricular), que vai permitir a drenagem de líquido acumulado na caixa craniana. O procedimento vai assegurar que Maria Vitória possa ter evolução nos tratamentos e terapias, para que possa andar, falar, se alimentar melhor e ter uma melhor qualidade de vida.
Como o procedimento é de urgência e tem um custo de R$ 68 mil, a família, que reside na área rural de Cafezal do Sul, a 30 km de Umuarama, está correndo contra o tempo para conseguir o valor, que cobre a válvula e os honorários médicos.
Para isso, lançou nesta segunda-feira (9) uma campanha virtual para levantar o valor. Até às 11 horas desta quinta-feira (12) o valor arrecadado no site da Vakinha e através de PIX direto para a conta da família, chegava perto dos R$ 19 mil.
“Peço que quem puder contribuir, com centavos até, nos ajude. Estamos lutando contra o tempo. A cirurgia da minha filha é de urgência. E agradeço a cada pessoa que está nos ajudando neste momento”, contou Mayara Kelly de Souza Moraes, mãe de Maria Vitória.
A mãe explicou que a família conseguiu fazer plano de saúde junto a Unimed de Londrina para Maria Vitória, que vai cobrir despesas com o hospital e medicação para a cirurgia, mas não inclui nem a válvula e nem os honorários médicos. O neurocirurgião acompanha a menina desde o nascimento, é de Londrina, mas não está credenciado junto a Unimed. Somente o valor do equipamento é estimado em R$ 30 mil. “É um dinheiro que não temos”, contou.

Mayara engravidou quando todos os prognósticos diziam que não conseguia. Ela tem uma grande quantidade de miomas no útero que dificulta uma gestação a chegar ao fim.
“Quando decidimos engravidar, eu e meu esposo fomos ao médico, pois já tínhamos passado por dois abortos espontâneos. Ali descobri o meu problema e veio a notícia de que primeiro teria que fazer uma cirurgia para a retirada de parte destes miomas para dai tentar engravidar.
Uma semana depois descobri que já estava grávida da Maria Vitória. Ela foi nosso milagre que Deus nos deu”, revelou Mayara. O nome, Maria Vitória, veio em sonho para o pai, Alex Junio Juliani, de 32 anos. “Ela é nosso maior tesouro e tudo o que fazemos é pensando na Maria”, disse Mayara.
A gravidez foi de risco, mas até o momento do parto, tudo corrida bem com a bebê. Maria chegou antes do previsto. Aos oito meses a bolsa de Mayara estourou e o parto foi de emergência. “Os médicos já diziam que seria muito difícil eu chegar ao fim da gestação. Conseguimos, mas o parto foi muito difícil e minha filha quase não sobreviveu”, contou Mayara.

Maria Vitória nasceu com 1.875 quilo, 45 centímetros de comprimento e inconsciente. Precisou ser reanimada. Dali seguiu para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) onde passou 52 dias internada, sendo boa parte deste período entubada.
As consequências do parto e do tempo de UTI vieram com o diagnóstico de paralisia cerebral grave com microcefalia e uma série de tratamentos e terapias para garantir uma vida de qualidade para a Maria Vitória. “Nós não sabíamos o que era a paralisia cerebral. Eu e meu esposo fomos pesquisar e entender o que era”, contou Mayara.
A família quando saiu do hospital, levava no braço a filha, nas mãos os encaminhamentos médicos e no coração o amor e a certeza de que tudo daria certo. “Ainda não tínhamos noção dos desafios que a Maria Vitória iria enfrentar. Achamos que o tempo de UTI seria o maior”, relatou a mãe.
Para cuidar de Maria, Mayara parou de trabalhar fora e o sustento vem do trabalho do esposo e da ajuda dos pais do casal. De segunda a quinta-feira Mayara tem a rotina de sair da residência da família, em Cafezal do Sul e trazer a filha até Umuarama onde realiza as terapias, que são muitas. Fisioterapia respiratória e motora, sessões com fonoaudióloga, natação, terapia ocupacional, além de consultas com médicos especialistas que a acompanham e exames.
Apesar de ser pequena para a idade, com apenas 8 quilos, Maria Vitória sempre respondeu bem aos tratamentos e estímulos. Mas tudo mudou em novembro, quando a menina pegou uma gripe, que evoluiu para pneumonia. Ficou seis dias internada, se recuperou e voltou para casa. Pouco depois, novo internamento. Mais 15 dias internada com uma febre sem a origem diagnosticada pelos médicos.
“Após nas terapias e no dia a dia percebemos que a Maria começou a ficar com o corpo rígido. Levamos no neurocirurgião que a acompanha desde o nascimento”, relatou a mãe. Na semana passada, os exames apontaram o surgimento da hidrocefalia.
Por causa da paralisia cerebral, a caixa craniana de Maria Vitória se fechou precocemente. Agora, com o acúmulo de água na cabeça, o cérebro está sendo comprimido e impedido de crescer. Para cessar essa condição, Maria Vitória precisa com urgência da cirurgia. O equipamento é menos invasivo e permite que a drenagem da água ocorra no consultório médico, sem a necessidade de internamento ou novas intervenções cirúrgicas.
Não fazer a cirurgia, além de provocar retrocesso no tratamento, ainda coloca a vida de Maria Vitória em risco, com crises de convulsões que hoje estão controladas.
Para ajudar a Maria Vitória e contribuir com a Vakinha virtual é fácil. Basta acessar esse link. ou pela chave PIX 07108149923, em nome do pai da menina, Alex Junio Juliani.