Cotidiano

OPERAÇÃO

Circuito Fechado: grupo com atuação em Umuarama movimentou R$ 32 milhões em quatro anos

16/10/2025 16H48

Jornal Ilustrado - Circuito Fechado: grupo com atuação em Umuarama movimentou R$ 32 milhões em quatro anos

A Polícia Federal divulgou o balanço final da Operação Circuito Fechado, deflagrada na manhã desta quinta-feira (16), nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso. Em Umuarama, uma mulher cadeirante foi presa durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão.  As análises financeiras apontam que o grupo movimentou, apenas em valores rastreados, cerca de R$ 32 milhões ao longo de quatro anos, o que demonstra o impacto econômico e tributário do esquema sobre o comércio formal.  

Na residência dela, diversos produtos eletrônicos de origem estrangeira foram apreendidos, reforçando as suspeitas de que a moradora tinha papel ativo dentro da organização criminosa. De acordo com a Polícia Federal, a mulher, que mora na Rua Canário, no Jardim Alphaville, próximo ao Atacadão, atuava como adquirente das mercadorias ilícitas e era responsável por orientar outros integrantes da quadrilha, conhecidos como “bandeiras”, sobre rotas seguras para evitar barreiras policiais durante o transporte dos produtos contrabandeados. 

Ainda conforme a PF, as mercadorias apreendidas na casa da investigada foram identificadas como provenientes do Paraguai, sem o devido desembaraço aduaneiro.

A operação representa o cerco final a uma rede criminosa transnacional responsável por um esquema milionário de contrabando e descaminho de eletrônicos de alto valor vindos do Paraguai. 

A ação resultou em:

• Seis mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal, cinco deles cumpridos durante as diligências; um investigado permanece foragido;

• Dois flagrantes lavrados — um pelos crimes de contrabando, importação irregular de medicamentos e descaminho, e outro pelo crime de descaminho;

• Mais de 180 aparelhos eletrônicos novos apreendidos, entre celulares, tablets e notebooks, além de aproximadamente 15 celulares pessoais pertencentes aos investigados;

• Diversos produtos de origem estrangeira sem comprovação fiscal, incluindo cigarros, essências, perfumes, bebidas, suplementos anabolizantes e acessórios eletrônicos;

• Dezessete veículos bloqueados judicialmente por meio do sistema RENAJUD e cinco veículos apreendidos durante as buscas, entre automóveis de passeio e utilitários de alto valor;

• Ordem de indisponibilidade de bens decretada, podendo alcançar até R$ 10 milhões por investigado, pendente de retorno das instituições financeiras;

• Materiais de interesse probatório apreendidos, como cadernos de anotações, cheques, comprovantes de compra de mercadorias no Paraguai, notebooks e celulares utilizados na atividade criminosa.

A operação contou com a participação de aproximadamente 50 policiais federais, que atuaram no cumprimento simultâneo das ordens judiciais nas cidades de Loanda/PR, Santa Isabel do Ivaí/PR, Umuarama/PR, Mundo Novo/MS e Assis/SP.

Esquema estruturado e movimentação milionária

As investigações tiveram início em 2024, após a apreensão de uma grande quantidade de aparelhos celulares na região de Guaíra/PR, na fronteira com o Paraguai. A partir desse ponto, a Polícia Federal passou a rastrear as transações financeiras e as comunicações entre os suspeitos, identificando uma organização criminosa estruturada, hierarquizada e altamente organizada, com ramificações em diversos estados brasileiros.

O grupo atuava em rotas clandestinas que conectavam o Paraguai aos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, utilizando veículos registrados em nome de terceiros, empresas de fachada e contas bancárias intermediárias para mascarar a origem dos produtos e dos recursos financeiros.

As análises financeiras apontam que o grupo movimentou, apenas em valores rastreados, cerca de R$ 32 milhões ao longo de quatro anos, o que demonstra o impacto econômico e tributário do esquema sobre o comércio formal. Segundo a PF, os criminosos realizavam viagens semanais para o transporte de centenas de aparelhos celulares, utilizando aplicativos de mensagens criptografadas e monitoramento em tempo real das ações policiais e fiscais para driblar a fiscalização.