Helton K. Lustoza

Coluna

As eleições acabaram. E agora?

28/11/2020 14H28

Helton Kramer Lustoza

Após a maior manifestação democrática do país, com a escolha dos governantes locais, teremos que retornar a realidade e buscar as soluções para nossos problemas sociais.

Sem dúvidas que o maior desafio será enfrentar a chamada segunda onda do coronavírus, sem deixar que isso afete de forma fatal a economia brasileira. Sabemos que todos dependem de um ambiente econômico aquecido para sobreviver. Seria uma ingenuidade acreditar que somente alguns grupos serão afetados pela crise econômica. Se não houver um mercado econômico saudável não haverá empregos e, certamente não teremos arrecadação de impostos, o que por via de consequência, não gerará dinheiro suficiente para o Estado pagar o salário de servidores e manter as políticas públicas. Isso quer dizer que todos – literalmente, todos – dependem de ações planejadas e corretas do Poder Público.

Por isso, o desafio não é tão simples, não basta parar o mundo para esperar que o vírus desapareça da nossa realidade. O desafio é muito maior do que parece! A tomada de decisões dos governantes, neste momento, envolve uma grande responsabilidade. Uma simples decisão errada, causará consequências irreversíveis e permanentes, envolvendo os pilares da sociedade: economia e saúde pública.

É uma situação de tantas incertezas, em que a população aguarda a aprovação de uma vacina que, talvez não solucione todos os problemas, mas ao menos, garantirá uma sensação de retorno seguro ao convívio social.

E diante de um cenário totalmente caótico que enfrentamos, ainda teremos que resolver o grave dilema do reposicionamento do Estado em nossas vidas. Quero dizer que enfrentaremos o cenário pós-pandemia completamente diferente do que estávamos acostumados.

As pessoas estão correndo atrás de informações, interessando-se pela política, defendendo opiniões sobre a postura da Administração Pública no combate a COVID-19. Isso mostra que o Estado é importante na sociedade e que sua presença de forma efetiva e eficiente é indispensável para saúde pública e para o ambiente econômico estável. Até os maiores críticos do SUS assumiram a posição de defensores de uma saúde pública efetiva.

Ainda precisamos quebrar com aquela velha cultura do descrédito da Administração Pública, para que isso permita com que a população possa questionar e cobrar mudanças acerca da qualidade dos serviços prestados pelo Poder Público. Precisamos superar aquele ambiente em que as propostas eleitorais eram fantasiosas, através das quais raramente apresentava-se um projeto de governabilidade a longo prazo (que ultrapasse 04 anos), a fim de tornar as atividades administrativas mais eficientes e atender as reais necessidades sociais.

Os últimos acontecimentos na sociedade, combinado com a cobrança social, provocaram uma preocupação nos chefes máximos da máquina pública quanto a insatisfação dos beneficiários dos serviços públicos. Precisamos aproveitar este momento em que a atuação do Estado está em evidência para cobrar uma mudança concreta sobre sua atuação nas áreas sociais mais importantes, como educação, saúde, segurança e inclusão social.

E se podemos ter um olhar positivo sobre tudo isso que ocorre, lembre-se das palavras de Albert Einstein: “A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. (…) É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar ‘superado’. (…) É na crise que se aflora o melhor de cada um…

É através do enfrentamento do desafio que a realidade se apresenta que podermos testar realmente se os governantes estavam preparados para dirigir nossa sociedade.

Enfim, vamos aguardar o que o futuro nos revelará.

Helton Kramer Lustoza

Procurador do Estado

Professor do Curso de Direito da UNIPAR

www.heltonkramer.com