Umuarama

PESQUISA IFPR

APA do rio Piava precisa de politicas públicas efetivas de preservação da água

02/04/2022 19H00

Jornal Ilustrado

A água consumida por todos umuaramenses sai do rio Piava, que é o único manancial capaz de oferecer o item vital para a sobrevivência da população de Umuarama. Com tal importância, um estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio Piava (APA) por pesquisadoras do programa de Mestrado do Instituto Federal do Paraná (IFPR).

A pesquisa realizada entre 2018 e 2020, conduzida pela bióloga Priscila Brustin Shima Barroco e orientada pelas professoras Norma Barbado e Patrícia Pereira Gosme, buscou realizar um diagnóstico da área de preservação permanente do rio Piava e a qualidade da água do rio. “A qualidade da água reflete na sustentabilidade hídrica do município e na saúde do povo, pois nem todos os tratamentos retiram alguns componentes da água, como os metais pesados”, ressaltou Priscila, na exposição do trabalho em reunião da Sociedade Civil Organizada de Umuarama (Sociou).

As pesquisadoras realizaram um mapeamento da APA e definiram sete pontos de coleta, sendo em nascentes, capitação e ao longo do rio até os limites do município na Estrada Boiadeira – BR 487. “Criamos indicadores para verificar as condições da vegetação e depois definimos as amostragens da água, que foram feitas durante um ano (primavera, verão, outono e inverno), pois as condições climáticas influenciam nas amostras. Consecutivamente as análises físicos/químicas, microbiológicas, compostos industriais e agrícolas. Ao final validamos as análises com protocolos internacionais e comparamos com a legislação brasileiro Conama/357 (Conselho Nacional do Meio Ambiente)”, esclareceu a pesquisadora.

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Reunião da Sociedade Civil Organizada de Umuarama (Sociou)

MATA CILIAR

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No quesito vegetação, o estudo identificou melhora entre os anos de 2005 a 2020, com 48% de recuperação da mata. Entretanto, do total da área da APA, 73% é pastagem e apenas 8% área de reserva legal. “O dado mostrou que a implementação da legislação da APA está sendo efetiva, mas tem muito a caminhar, pois ainda existem nascentes sem mata ciliar. A APA necessita de um trabalho efetivo de educação ambiental, como também, programas para valorizar os proprietários de terras. Todos os agricultores que visitamos foram solícitos, demostraram preocupação com o meio ambiente e querem ajudar neste sentido”, informou a pesquisadora.

Norma Barbado ainda ressaltou que por ser a única bacia com possibilidade de abastecimento da cidade, o local precisa de implementar legislações para trabalhar e manter a preservação das nascentes e matas ciliares.

FÍSICOS/QUÍMICOS

A pesquisa levantou 24 parâmetros físicos/químicos entre 672 amostras com bons resultados. “Contaminantes como coliformes fecais apresentaram índices a baixo do permitido pelo Conama, alguns mais preocupantes, mas a água passa por tratamento pelo prestador de serviço. O que verificamos é que nas áreas com mata ciliar mais preservadas a qualidade da água era melhor, explicou a Priscila.

ALERTA VERMELHO

Um dos pontos de discussão, na apresentação da pesquisa dentro da Sociou, foi o quesito metais passados dentro da água do rio Piava. A pesquisa apurou 20 tipos de contaminante em 560 amostras e 53% das amostras estavam em acima dos índices permitidos pelo Conama. Os principais componentes foram alumínio, manganês, bário e outros compostos de metais pesados. “O alumínio e manganês são utilizados na agricultura para fazer balanceamento de solo. Entretanto, estamos no solo de arenito Caiuá, que já é muito rico em alumínio. Desta forma, não sabemos se isso é proveniente de uma ação humana, pois nossa pesquisa não foi sobre solo”, esclareceu pesquisadora.

AGROTÓXICOS

Os componentes de defensivos agrícolas encontrados na água do rio também chamaram atenção dos presentes na reunião, pois das amostras 13 mil por cento estavam acima do permitido pela legislação brasileira. “Para algumas amostras o que chamou atenção foi encontram edrin e diclorometano, pois são dois compostos que estão proibidos no Brasil desde 1985. Os defensivos agrícolas têm uma permanência grande no solo e talvez esses compostos podem estar aqui desde 1985. Porém, são dois compostos altamente cancerígenos e por isso não são permitidos no Brasil” explanou a entrevistada.

CONCLUSÃO

Na apresentação a Sociou, as pesquisadoras ainda ressaltaram que existem outros componentes na água, porém 38% desses não estão referenciados pelo Conama. Desta forma, o estudo ressaltou um panorama positivo na questão da preservação de matas ciliares, porém é preciso maior atenção de toda comunidade de Umuarama, principalmente os órgãos ambientais competentes, para APA do Rio Piava, pois a água influência diretamente na saúde da população.