Umuarama

Meio Ambiente

Rio Piava precisa de atenção das autoridades competentes de Umuarama

02/10/2021 10H53

captação_rio_piava_umuarama

Dados da Sanepar mostram que o rio Piava, em Umuarama, perdeu cerca de 45% da sua vazão normal, além disso, um levantamento topográfico mostra redução no tamanho do rio. Dos 50 quilômetros de curso de água que existiam em 2010, no perímetro da Área de Preservação Permanente (APP), atualmente há apenas 28 quilômetros de rio, ou seja, 22 quilômetros foram extintos.

O estrangulamento do Piava, que vem ocorrendo há mais de 10 anos pode acender certa preocupação nos órgãos de proteção ambiental, sociedade civil e administração municipal, como também, toda a comunidade de Umuarama, pois o rio é o único capaz de abastecer Umuarama. Hoje o manancial leva água potável para mais de 48 mil imóveis na cidade.

Segundo o gerente-geral da Sanepar para a Região Noroeste, Sérgio Augusto Portela, mesmo com a situação atual do rio Piava, ainda não existe alerta para rodízio na distribuição de água em Umuarama. Entretanto, a empresa iniciou o trabalho de proteção e recuperação das nascentes da APP do rio. Numa área em torno de 800 hectares, está sendo feito o terraceamento, técnica de construção de aterros em nível para que ocorra a infiltração da água lentamente, diminuindo o processo de erosão e o aporte de areia e sedimentos para o rio.

O gerente ressaltou que ação vai aumentam a quantidade e a qualidade da água na captação para abastecimento, porém, mesmo com a ação e a chegada das chuvas é impossível o rio voltar ao seu tamanho e vazão original. “Estamos buscando meios de manter o rio e por isso pedimos apoio dos vizinhos em preservar a mata nativa nas nascentes e ao longo do rio”, enfatizou.

A Sanepar também realiza adequações de carreadores de águas pluviais em 269 hectares, proteção de nascentes e isolamento da área da APP com cercas em 4 mil metros lineares.

ÁREA DE PROTEÇÃO

Dentro de uma região de área de proteção, o rio Piava sofre o impacto da degradação ambiental, além da especulação imobiliária, com a fatiamento de solo. Na Área de Proteção Ambiental (APA) encontrasse áreas de lazer, muitas vezes locadas para festas e eventos, pistas para esporte de velocidade e movimentação de terras, o que já levou grande quantidade de terra para o curso do rio, comprovado pela sua redução de 44% ao longo dos anos.

SECA E CALOR

Segundo a previsão do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a situação com relação à crise hídrica deve se manter no Paraná, com projeção de chuvas abaixo da média na estação. O Paraná vive a pior estiagem das últimas décadas e várias regiões, incluindo a Grande Curitiba, passam por racionamento de água, com o rodízio no fornecimento.

No interior do Estado seis cidades estão com o abastecimento em dias alternados e 19 cidades em situação crítica.

“Atualmente dois terços do território do Paraná continua sob o fenômeno da estiagem. A região Leste está se recuperando, mas precisa de muita chuva para voltar à normalidade. Isto significa que a estiagem está distribuída ao longo do Estado, com mais força na Região Sudoeste”, destaca o diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Julio Gonchorosky.

ALERTA VERMELHO

A principal mensagem do relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), divulgado mundialmente, é de que a mudança do clima já está acontecendo, está mais rápida e intensa, e é resultado da ação humana. O IPCC lançou conjuntamente o Atlas Interativo, por meio do qual é possível visualizar o clima futuro com relação às temperaturas e à precipitação, a partir dos cenários de aquecimento de aumento da temperatura média global em 1,5º C, 2º C e 4º C. Além disso, os dados mostram que a situação climática hoje é irreversível trazendo para região mais períodos de seca intensa.