Cotidiano

PREOCUPANTE

3 mulheres são vítimas de violência doméstica por dia em Umuarama e região

27/07/2026 07H50

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Brasil concentrou 40% dos feminicídios da América Latina em 2017
Imagem ilustrativa

A violência doméstica continua fazendo vítimas diariamente em Umuarama e municípios da região. Entre os dias 18 e 25 de julho, 19 ocorrências de violência doméstica e familiar foram registradas na área de abrangência do 25º Batalhão da Polícia Militar, número que chama a atenção pela frequência dos casos. Na média da quase 3 atendimentos por dia.

Até o fechamento desta reportagem, foram contabilizados 19 registros em apenas uma semana. Já a área atendida pelo 7º Batalhão da Polícia Militar, que também integra a região de Umuarama, não havia registrado ocorrências dessa natureza no mesmo período.

Os números, no entanto, representam apenas os casos que chegaram ao conhecimento das autoridades. A realidade pode ser ainda mais preocupante, já que muitas vítimas permanecem em silêncio por medo, dependência financeira, vergonha ou receio de represálias.

Durante a semana, situações de extrema gravidade mobilizaram as forças de segurança. Entre elas, um cárcere privado em Icaraíma, uma gestante de sete meses agredida com um chute na barriga, uma mulher esfaqueada e outro cárcere privado em Umuarama, onde a vítima permaneceu presa por cinco dias.

Além das ocorrências atendidas pela Polícia Militar, nesta semana a Delegacia da Mulher de Umuarama também cumpriu um mandado de prisão contra um homem por descumprimento de medida protetiva, reforçando a atuação das forças de segurança no combate à violência contra a mulher.

Além das agressões físicas

Embora muitos casos envolvam agressões físicas, especialistas alertam que a violência doméstica também se manifesta de diversas outras formas.

A Lei Maria da Penha reconhece como violência doméstica as agressões física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Ameaças, perseguições, humilhações, controle da vida da vítima, destruição de objetos e restrição financeira também configuram violência e devem ser denunciadas.

Em 24h, seis ocorrências

Em menos de 24 horas, a Polícia Militar registrou seis novas ocorrências de violência doméstica na região.

Em Maria Helena, uma mulher de 43 anos denunciou o ex-companheiro, de 44 anos, por perseguição e ameaças. Segundo a vítima, ele foi até seu local de trabalho exigindo a retomada do relacionamento. Quando a polícia chegou, o suspeito já havia fugido.

Em Umuarama, na Zona Seis, um homem de 49 anos foi preso após ameaçar a esposa, danificar objetos da residência e ainda ofender um vizinho. Ele foi encaminhado à 7ª Subdivisão Policial.

Ainda em Umuarama, no Jardim Cruzeiro, uma jovem de 23 anos sofreu escoriações após ser empurrada pelo irmão durante uma discussão. O agressor fugiu antes da chegada da polícia.

No bairro Parque San Remo I, uma mulher de 31 anos acionou a PM após o convivente se recusar a deixar a residência e passar a agir de forma agressiva. O suspeito fugiu antes da chegada dos policiais.

No Conjunto Residencial Independência, uma mulher de 24 anos denunciou ter sido ameaçada pelo ex-sogro, que também enviou mensagens intimidatórias após deixar o local.

Já em Icaraíma, uma mulher de 35 anos procurou a Polícia Militar relatando ter sido ameaçada e ofendida pelo companheiro após uma discussão iniciada em um estabelecimento comercial. Ela manifestou interesse em solicitar medida protetiva.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência podem procurar atendimento especializado e registrar denúncia mesmo que ainda não tenham sofrido agressões físicas.

Em Umuarama, o acolhimento pode ser realizado por meio da Delegacia da Mulher, responsável pelo registro das ocorrências, solicitação de medidas protetivas e investigação dos crimes. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.

Também é possível denunciar por meio do Disque 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona gratuitamente em todo o país, 24 horas por dia, oferecendo orientações e encaminhamento para a rede de proteção.

A vítima ainda pode procurar os serviços de assistência social e de saúde do município, que integram a rede de acolhimento e oferecem suporte psicológico, social e jurídico.

Denunciar pode salvar vidas

Autoridades reforçam que denunciar é fundamental para interromper o ciclo da violência. Em muitos casos, as agressões começam com ameaças, humilhações e controle psicológico, evoluindo para lesões graves e até feminicídios.

Familiares, vizinhos e amigos também podem denunciar ao perceber sinais de violência. O silêncio, alertam especialistas, continua sendo um dos principais obstáculos no enfrentamento desse tipo de crime.