Umuarama

Espírito natalino

Voluntária transforma o Natal de dezenas de famílias com trabalho solidário no Sonho Meu

26/12/2025 08H32

Jornal Ilustrado - Voluntária transforma o Natal de dezenas de famílias com trabalho solidário no Sonho Meu

O espírito natalino, marcado pela partilha, empatia e cuidado com o próximo, ganha forma concreta no Conjunto Sonho Meu I, em Umuarama, por meio do trabalho incansável de Jacineide Aparecida Moreira, conhecida por todos como Neide. Aos 54 anos, moradora do bairro há 11 anos, ela se tornou uma das principais referências de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente nesta época do ano.

Mesmo não ocupando mais oficialmente o cargo de presidente da Associação de Moradores — função que exerceu por oito anos — Neide segue atuando de maneira ativa na comunidade. É ela quem escuta, orienta e corre atrás de ajuda para quem precisa. “As pessoas vêm me procurar. Tanto do Sonho Meu 1 quanto do Sonho Meu 2. Eu sempre estou correndo atrás para ajudar”, conta.

Cestas

Com a proximidade do Natal, o trabalho se intensifica. Neste ano, cerca de 60 famílias serão beneficiadas com cestas natalinas distribuídas diretamente por Neide, que faz questão de entregar pessoalmente cada uma delas. “Eu vou na casa de todo mundo que precisa. Tem família aqui que não teria nem um macarrão para comer no dia do Natal”, relata.

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As cestas contam com itens típicos da data, como arroz, feijão, macarrão, molho de tomate, panetone, refrigerante e balas. Segundo Neide, a arrecadação acontece de forma espontânea graças a ajuda de pessoas que ela chama de “anjos” colocados por Deus em sua vida. “Há 11 anos é assim. Chega perto do Natal e eles já me chamam, dizem que a cesta é minha de novo. Eu nem preciso sair para pedir”, explica.

Cinco doadores fixos são responsáveis por grande parte das doações, contribuindo com quantidades significativas de cestas. “Eles não mandam duas ou três, não. Mandam dez, onze, doze. É algo maravilhoso, gratificante demais”, afirma emocionada.

Empatia

A motivação para tanto empenho vem da empatia e da dor de ver a desigualdade de perto. “É muito triste pensar que enquanto a nossa mesa está cheia, tem família que não vai ter nada para comer no Natal. Isso mexe muito comigo”, desabafa. A reação de quem recebe as doações confirma o impacto do trabalho. “Tem gente que chora, que se ajoelha, agradece. A felicidade é grande, mas ao mesmo tempo é triste, porque elas não achavam que alguém ia lembrar delas”, relata.

Além do Natal, Neide e sua equipe — formada também pelos moradores Danilo e Alan, companheiros de trabalho comunitário há 11 anos — atuam durante todo o ano. As ações incluem a tradicional festa do Dia das Crianças, que já completa uma década, além de ajuda com remédios, consultas médicas, transporte para hospitais e acompanhamento de idosos. “Já fiquei até duas horas da manhã no PA acompanhando alguém que não tinha quem levasse”, lembra.

Neide também faz um apelo a empresários e voluntários que desejam ajudar de forma mais direcionada. “Às vezes a pessoa entrega uma cesta para quem não precisa, porque não conhece o bairro. Se procurar a gente, vamos levar até a família certa”, orienta.

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Moradora do Sonho Meu I desde 2015, Neide trabalhou por quase 20 anos no serviço doméstico. Há seis anos, deixou o emprego para cuidar da mãe acamada, que passou a morar com ela. Mesmo diante dos desafios pessoais, nunca deixou de olhar para o próximo. “O ano inteiro a gente está aqui para ajudar”, resume.

Em tempos em que a solidariedade muitas vezes se limita às datas comemorativas, a história de Neide mostra que o verdadeiro espírito natalino vai muito além do calendário: está presente todos os dias, nas pequenas e grandes atitudes que transformam vidas.