UMUARAMA

Um vídeo gravado na casa do pioneiro Alcebíades Zanato, de 88 anos, em Umuarama, emocionou internautas e viralizou nas redes sociais nos últimos dias. As imagens mostram o idoso segurando e beijando o porta-retrato da esposa, Júlia Szezerbatz Zanato, que faleceu aos 79 anos.
A gravação foi publicada no Instagram pela neta do casal, Yasmin Szezerbatz Zanato Wonstaen Jorge. O momento ganhou ainda mais significado porque o vídeo foi registrado no dia seguinte à data em que a família completou dois meses sem Júlia.
Nas imagens, registradas por uma câmera de segurança da residência, Alcebíades aparece entrando na cozinha para realizar suas atividades. Ele leva consigo o porta-retrato com uma fotografia do casamento e coloca cuidadosamente a imagem sobre a mesa.
Em seguida, o idoso volta a pegar o retrato, segura a fotografia nas mãos e permanece por alguns segundos olhando para a esposa. Em um gesto de carinho, ele beija a imagem antes de continuar sua rotina.
VEJA O VÍDEO:
Ao compartilhar o vídeo, a neta contou que o avô enfrenta com dificuldade a ausência da companheira de quase 64 anos.
“Dia 17 seria aniversário da vovó. Ontem, dia 22, completamos dois meses sem ela. Ela não conseguiu chegar aos 80 anos. E esse é o vovô, no dia de hoje, com seus 88 anos, com quase 64 anos de casados. Iam completar em setembro”, escreveu.

Segundo Yasmin, Alcebíades pediu que a família colocasse fotografias da esposa pela casa e costuma dizer que sente muita saudade da “véia”, como a chamava carinhosamente.
“Esses dias ele gritou na casa chamando ela, para liberar o coração. Hoje, ele colocou a foto dela na mesa para sentir ela mais pertinho dele”, relatou a neta.

Ela também contou que o avô sempre dizia que gostaria de morrer antes da esposa. “Vovô sempre falou que queria ir antes dela, porque mulher sabe viver sem o homem, mas o homem não consegue viver sem a mulher, mesmo ele sendo a pessoa que fazia tudo na casa”, afirmou.
Em outra publicação, Yasmin destacou a profunda ligação que sempre existiu entre os avós.
“Esse é meu avô, ele sempre viveu pela vovó. A vida dele sempre foi em função dela. Ele conta de quando se conheceram e se arrepia até hoje. Ele sempre dizia que não queria viver mais que ela, que ela aguentaria sem ele, mas que ele não aguentaria sem ela. E está nesse sofrimento agora”, escreveu.
Júlia Szezerbatz Zanato morreu aos 79 anos. Ela era pioneira de Umuarama e chegou ao município em 1959, nos primeiros anos de formação da cidade.
Moradora da Zona II, acompanhou o crescimento de Umuarama ao longo de mais de seis décadas vivendo no município.

Júlia e Alcebíades foram casados por quase 64 anos e tiveram seis filhos, sendo uma filha já falecida. Ela também deixou 16 netos e 15 bisnetos.
Dois meses após a morte da esposa, o gesto simples de Alcebíades ao levar a fotografia para perto de si transformou a saudade de uma vida inteira compartilhada em uma cena que emocionou milhares de pessoas nas redes sociais.